BTG fecha acordo para comprar Digimais, de Edir Macedo
Operação depende de condições como apoio do FGC e aval regulatório
247 - O BTG Pactual assinou um acordo para adquirir o banco Digimais, instituição controlada pelo bispo Edir Macedo, em uma operação que ainda depende de etapas adicionais para ser concluída. Segundo o jornal Valor Econômico, entre as condições necessárias estão a obtenção de financiamento junto ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC) e ajustes finais na estrutura da transação.
As negociações entre as instituições estavam em estágio avançado desde março. A operação é vista como uma “solução de mercado” para o Digimais, que enfrenta dificuldades há algum tempo e vinha sendo acompanhado de perto pelo Banco Central.
Aporte e condições ainda em discussão
Antes da transferência do controle, Edir Macedo deverá realizar um aporte relevante no banco, reforçando sua estrutura de capital. Esse movimento é considerado necessário para viabilizar a venda e atender às exigências regulatórias.
Um dos principais pontos ainda em aberto é o empréstimo do FGC. O fundo passa por um momento de pressão financeira após perdas recentes e também analisa outras demandas relevantes, como um pedido de financiamento do Banco de Brasília (BRB), estimado em R$ 4 bilhões.
Nova regra do FGC pode influenciar operação
A transação pode se tornar a primeira a ocorrer sob as novas diretrizes do Conselho Monetário Nacional (CMN) para o FGC, implementadas em janeiro. Pelas regras atualizadas, o fundo deverá organizar um leilão e permitir a apresentação de propostas concorrentes.
Apesar disso, a expectativa do mercado é de que o BTG Pactual permaneça como principal interessado e favorito na disputa, já que possui maior familiaridade com a operação e vinha conduzindo as negociações diretamente.
Histórico de tentativas de venda e pressão do BC
O Digimais já vinha sendo monitorado pelo Banco Central nos últimos anos, com exigências de reforço de capital por parte do regulador. Nesse período, o controlador buscou alternativas para vender a instituição.
Houve conversas com o Nubank e até o anúncio de um acordo com o Bluebank, ligado ao empresário Maurício Quadrado, que não avançou. Paralelamente, o banco enfrenta uma disputa judicial com o fundo EXP 1, administrado pela gestora Yards.
O conflito teve início após a cessão de uma carteira de crédito de R$ 659,8 milhões, realizada em março de 2025, que incluía ativos originados por outras instituições financeiras.
Dados financeiros e silêncio das partes
De acordo com dados do sistema IFData, do Banco Central, o Digimais possuía, em setembro do ano passado, ativos de R$ 9,297 bilhões e patrimônio líquido de R$ 420 milhões. A carteira de crédito somava R$ 1,884 bilhão, enquanto os títulos e valores mobiliários totalizavam R$ 2,285 bilhões.
O banco ainda não divulgou seus resultados referentes a 2025. Procurados pela reportagem, o BTG Pactual não comentou o acordo, e o Digimais não se manifestou até o momento.


