Ibovespa atinge nova máxima após cessar-fogo entre EUA e Irã
O principal índice da bolsa brasileira chegou a superar os 193 mil pontos no melhor momento do pregão e encerrou o dia em nível recorde
247 - O Ibovespa alcançou um novo patamar histórico nesta quarta-feira ao renovar seu pico, impulsionado pela redução das tensões internacionais após o anúncio de cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã. O principal índice da bolsa brasileira chegou a superar os 193 mil pontos no melhor momento do pregão e encerrou o dia em nível recorde. Segundo a Reuters, o movimento refletiu a melhora do ambiente externo, com investidores retomando o apetite por ativos de risco após o acordo temporário entre os dois países. O índice avançou 2,09%, fechando aos 192.201,16 pontos, enquanto a máxima intradiária atingiu 193.759,01 pontos.
O volume financeiro somou cerca de R$ 42,5 bilhões, acima da média diária registrada ao longo do ano, estimada em R$ 35 bilhões. O fluxo elevado acompanhou o otimismo global, que também beneficiou outros mercados.
O acordo entre os dois países prevê uma trégua de duas semanas mediada pelo Paquistão. O atual presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que o entendimento inclui a reabertura do Estreito de Ormuz por parte do Irã, uma das principais rotas do comércio global de petróleo.
A sinalização de distensão no conflito teve impacto direto sobre as commodities. O petróleo registrou forte queda no mercado internacional, com o barril do tipo Brent recuando 13,29%, encerrando o dia cotado a US$ 94,75. A expectativa de normalização do fluxo na região contribuiu para o movimento.
Mesmo com o alívio momentâneo, o cenário no Oriente Médio segue instável. Há registros recentes de ataques envolvendo Israel, Líbano e ações atribuídas ao Irã contra instalações petrolíferas em países vizinhos do Golfo. Autoridades norte-americanas indicaram que podem retomar operações militares caso as negociações não avancem.
Uma fonte iraniana envolvida nas conversas afirmou à Reuters que o país pode reabrir parcialmente o estreito ainda nesta semana, antes do início de novas negociações programadas para o dia 10 no Paquistão. Ao mesmo tempo, lideranças políticas iranianas apontaram descumprimento de cláusulas preliminares do acordo.
No mercado financeiro, o foco ficou na redução do risco geopolítico no curto prazo. Em Nova York, o índice S&P 500 também reagiu positivamente, com alta de 2,51%, reforçando o movimento global de valorização. O estrategista de investimentos Nicolas Gass, sócio da GT Capital, avaliou que a sinalização de trégua gerou forte entusiasmo entre investidores.
“O anúncio de Trump sobre o cessar-fogo acabou gerando uma euforia nos mercados, um clima de 'risk on', principalmente após o tom 'catastrófico' de Trump na véspera”, afirmou. Ele alertou, no entanto, que ainda há risco de fracasso nas negociações.
Entre os destaques da bolsa brasileira, ações ligadas ao setor financeiro avançaram com força, acompanhando o cenário externo mais favorável. Itaú Unibanco subiu 3,5%, Bradesco avançou 5% e Banco do Brasil registrou alta de 4,48%.
Empresas do setor de mineração e siderurgia também tiveram desempenho positivo, com ganhos expressivos em CSN, Gerdau e Usiminas, apesar da queda nos preços do minério de ferro na China.
Na contramão, papéis de petróleo recuaram, pressionados pela queda da commodity no exterior. Petrobras registrou perdas superiores a 3%, enquanto outras companhias do setor também fecharam em baixa.
Entre os destaques de alta, Hapvida avançou mais de 9% após movimentos relevantes de seus acionistas controladores. Já o BTG Pactual teve valorização expressiva diante de notícias sobre a possível aquisição do banco Digimais.
O pregão refletiu um cenário de maior confiança no curto prazo, embora investidores ainda acompanhem de perto os desdobramentos das negociações internacionais e seus possíveis impactos sobre os mercados globais.


