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Dólar cai ao menor valor em quase dois anos após acordo entre EUA e Irã

Moeda recua com cessar-fogo liderado por Donald Trump e alívio global impulsiona real e ativos de risco

Notas de dólar (Foto: Dado Ruvic/Reuters)

247 - O dólar registrou queda expressiva e atingiu o menor nível de fechamento em quase dois anos após o acordo entre Estados Unidos e Irã, refletindo o impacto imediato do alívio geopolítico sobre os mercados globais. A moeda estadunidense encerrou o dia cotada a R$ 5,1035, com recuo de 1,00%, no menor patamar desde maio de 2024.

As informações foram divulgadas pela Reuters e mostram que o movimento ocorreu após o atual presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, firmar um cessar-fogo de duas semanas com o Irã, abrindo caminho para a reativação do transporte de petróleo e gás pelo Estreito de Ormuz.

Ao longo do pregão, o dólar chegou a cair ainda mais, atingindo R$ 5,0659 na mínima do dia, em meio à reação positiva dos investidores diante da trégua temporária no conflito. No acumulado de 2026, a moeda passou a registrar desvalorização de 7,02% frente ao real.

No mercado futuro, o movimento seguiu a mesma tendência. O contrato mais negociado na B3, com vencimento em maio, recuou 0,98%, sendo negociado a R$ 5,1275 no fim da tarde.

O acordo diplomático anunciado na noite anterior teve papel central na mudança de humor dos mercados. Donald Trump aceitou a proposta de cessar-fogo poucas horas antes do prazo final, condicionando a trégua à suspensão do bloqueio no Estreito de Ormuz, uma das principais rotas globais de energia.

Do lado iraniano, o ministro das Relações Exteriores, Abbas Araqchi, confirmou a disposição de Teerã em interromper os contra-ataques e garantir passagem segura pela região. Segundo uma autoridade iraniana ouvida pela Reuters, a reabertura do estreito pode ocorrer ainda antes do início de negociações de paz, previstas para os próximos dias.

A perspectiva de normalização no fluxo de petróleo provocou forte queda nos preços internacionais da commodity. O barril do tipo Brent recuou com intensidade, enquanto ativos considerados mais arriscados avançaram em diversas praças financeiras ao redor do mundo.

Esse ambiente de menor aversão ao risco pressionou o dólar globalmente. A moeda perdeu valor frente a diversas divisas, incluindo moedas de países emergentes como o real, o peso chileno, o rand sul-africano e o peso mexicano.

Apesar da queda consistente ao longo do dia, o dólar recuperou parte da força no período da tarde, acompanhando oscilações externas. Ainda assim, encerrou a sessão com desvalorização firme no mercado doméstico.

Durante evento realizado em São Paulo, o diretor de Política Monetária do Banco Central, Nilton David, comentou a reação do câmbio brasileiro após o início do conflito no Oriente Médio. Segundo ele, o desempenho do real seguiu o comportamento de outras moedas internacionais.

“O movimento de desvalorização do real não foi tão diferente dos pares”, afirmou. Ele acrescentou que a moeda brasileira costuma apresentar maior sensibilidade às oscilações globais, o que explica variações mais intensas em momentos de estresse ou alívio.

No cenário doméstico, o Banco Central realizou a venda de 50 mil contratos de swap cambial para rolagem de vencimentos, sem impacto relevante nas cotações. Já os dados mais recentes indicaram fluxo cambial negativo de US$ 6,335 bilhões em março, período que marcou o início da escalada do conflito.

No exterior, o índice do dólar — que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas fortes — chegou a apresentar leve alta no fim do dia, refletindo ajustes técnicos após as perdas mais acentuadas ao longo do pregão.

O comportamento recente do câmbio reforça a influência direta dos fatores geopolíticos sobre os mercados financeiros. A redução das tensões no Oriente Médio tende a diminuir a busca por ativos considerados seguros, favorecendo moedas emergentes e ampliando o apetite por risco entre investidores.

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