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Credores pressionam Cosan e Shell por aporte de até R$ 25 bi na Raízen

Grupo cobra capitalização bilionária para conter crise financeira e questiona proposta de reestruturação da companhia

Raízen (Foto: Reuters)

247 - Os principais credores da Raízen se mobilizaram para pressionar os acionistas da companhia a realizarem um aporte expressivo com o objetivo de reequilibrar a estrutura financeira da empresa, em meio ao agravamento da crise que atinge o grupo do setor sucroenergético e de distribuição de combustíveis.

Em carta encaminhada à Cosan, controlada por Rubens Ometto, e à Shell, o grupo solicita uma capitalização que pode chegar a R$ 25 bilhões. A iniciativa reúne detentores de títulos da dívida externa — os chamados bondholders — e bancos credores.

A proposta defendida é que Cosan e Shell promovam uma oferta de ações da Raízen, ancorando a operação com um aporte conjunto entre R$ 10 bilhões e R$ 12 bilhões. O montante restante seria captado no mercado. Uma das alternativas em discussão para atrair os detentores de dívida externa seria permitir a conversão dos papéis em ações, considerando 100% do valor de face dos títulos no cálculo da operação. Atualmente, esses papéis são negociados no mercado secundário com deságio, entre 45% e 50% do valor original.

Interlocutores indicam que o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) sinalizou disposição para colaborar com a capitalização. Caso o valor levantado não seja suficiente, credores bancários poderiam avaliar alternativas adicionais. Os bancos contrataram a consultoria FTI como assessora no processo.

Insatisfação com proposta de reestruturação

Os credores avaliam que a solução apresentada pelos acionistas impõe um sacrifício desproporcional a quem financiou a companhia. A leitura é de que os controladores têm capacidade de realizar um aporte mais robusto para enfrentar a crise. Segundo fontes, Cosan e Shell receberam aproximadamente R$ 20 bilhões em dividendos da Raízen na última década.

Na quinta-feira (19), uma primeira carta foi enviada à Cosan e à Shell, assinada por credores bancários locais — Santander, Itaú Unibanco e Bradesco — e pelo Moelis, representante dos bondholders. No domingo (22), um segundo documento incluiu também bancos estrangeiros como JPMorgan, Bank of America, BNP, Sumitomo e Credit Agricole.

Desde a semana passada, executivos da Cosan e da Shell estão reunidos em Londres para discutir a situação financeira da Raízen.

Estrutura da dívida e impasse sobre cisão

A dívida bruta da Raízen soma cerca de R$ 73 bilhões. Desse total, aproximadamente 40% estão nas mãos de bondholders, outros 40% com bancos, e o restante distribuído no mercado de capitais local, entre debêntures e Certificados de Crédito do Agronegócio (CRAs).

Além da capitalização, os credores se posicionaram contra a proposta de cisão da companhia, que prevê separar o negócio de açúcar e etanol da área de logística e distribuição. Na avaliação do grupo, a divisão, neste momento, os deixaria mais expostos ao segmento mais fragilizado e não seria adequada enquanto a dívida não estiver equacionada.

Entre as alternativas discutidas pelos acionistas está um aumento de capital de cerca de R$ 3 bilhões — sendo R$ 1,5 bilhão da Shell, R$ 1 bilhão da Cosan e R$ 500 milhões de Ometto. Após esse aporte inicial, seria implementada a divisão da companhia, seguida de conversão de dívida em ações.

Em etapa posterior, fundos de private equity geridos pelo BTG poderiam investir R$ 5,3 bilhões nas empresas resultantes da cisão. Também estaria previsto um follow-on secundário para venda das ações convertidas pelos credores, permitindo sua saída do capital.

Paralelamente, a Raízen vem promovendo a venda de ativos desde o ano passado. A alienação das operações na Argentina estaria em fase final. Segundo uma fonte, a transação poderia ocorrer em condições mais favoráveis após a capitalização da companhia.

Procuradas, Cosan não comentou. A Shell não se manifestou até o momento.

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