Faturamento de shoppings cresce 1,2% em 2025 e bate recorde
Setor alcança R$ 200,9 bilhões em vendas, mantém alta ocupação e projeta avanço moderado para 2026
247 - O faturamento dos shoppings centers no Brasil avançou 1,2% em 2025 na comparação com o ano anterior e atingiu R$ 200,9 bilhões, o maior volume de vendas já registrado pelo setor. Embora o resultado tenha ficado abaixo da projeção inicial de crescimento de 1,6%, o desempenho consolidou a recuperação do segmento em um ambiente econômico ainda marcado por desafios.
Os números, divulgados na quarta-feira (4) pela Associação Brasileira de Shopping Centers (Abrasce), são nominais e não consideram o efeito da inflação. O crescimento também ficou abaixo do registrado em 2024, quando o setor havia apresentado expansão de 1,9%, mas, ainda assim, estabeleceu um novo recorde histórico de faturamento.
O presidente da Abrasce, Glauco Humai, avaliou o resultado de forma positiva, especialmente quando comparado a outros setores da economia. “As vendas ficaram muito próximas do que esperávamos para este ano. O crescimento de 1,6% foi importante, ainda mais se comparado com outros setores, como a indústria, com resultados abaixo. Então, estamos satisfeitos”, afirmou durante entrevista coletiva à imprensa.
A taxa média de ocupação dos shoppings foi de 95,4% em 2025, nível considerado saudável pela entidade. Segundo Humai, a vacância observada reflete uma condição técnica do setor. “O que temos hoje é uma vacância técnica. Se o shopping estiver 100% ocupado, não cabem novas lojas, nem chegadas de marcas”, explicou.
Ao fim do ano, o país contava com 658 shoppings em operação, distribuídos por 253 cidades. Em 2025, foram inaugurados dez novos empreendimentos. A área bruta locável (ABL) cresceu 0,9% no período, totalizando 18,3 milhões de metros quadrados. Para 2026, a Abrasce projeta a abertura de 11 novos shoppings.
O número total de lojas aumentou 1,2%, alcançando 124,7 mil unidades. A taxa de inadimplência dos lojistas caiu para 4,3%, a menor da série histórica, o que indica, segundo a entidade, uma situação financeira mais equilibrada dos comerciantes. O nível de emprego também avançou, com alta de 0,9%, resultando em 1,082 milhão de trabalhadores no setor.
O fluxo médio mensal de visitantes recuou 1% em 2025, somando 471 milhões de pessoas. Em contrapartida, o tempo médio de permanência nos shoppings subiu para 80 minutos, o maior já registrado. Em anos anteriores, a média era de cerca de 73 minutos, enquanto durante a pandemia chegou a ficar abaixo de 30 minutos. O valor médio gasto pelos consumidores cresceu 4%, passando de R$ 121 em 2024 para R$ 126 em 2025.
De acordo com Humai, esse comportamento está ligado à diversificação dos serviços oferecidos pelos centros de compras. “Os shoppings se tornaram um point de compras, alimentação, lazer, serviços, como academias, clínicas e estética, além de um maior número de eventos”, afirmou.
Para 2026, a Abrasce projeta crescimento de 1,4% no faturamento, que deve atingir R$ 203,7 bilhões. “Estamos animados, confiantes, mas com cautela para 2026”, disse Humai. Entre os fatores favoráveis, ele citou a geração de empregos, o aumento da massa salarial e a tendência de queda dos juros, que pode estimular tanto o consumo quanto novos investimentos.
O presidente da entidade também destacou o impacto da ampliação da isenção do imposto de renda para pessoas que recebem até R$ 5 mil mensais. “Isso vai gerar uma sobra de bilhões de reais no orçamento das famílias, e uma parte disso deve ir para o varejo”, avaliou. Segundo ele, a realização da Copa do Mundo em 2026 tende a impulsionar as vendas de materiais esportivos e eletrônicos. “As pessoas saem do trabalho e podem ir ver o jogo nos shoppings, ficando ali depois. Se fosse no meio da manhã ou da tarde isso seria mais difícil”, comentou.
Entre os pontos de atenção, Humai citou o cenário eleitoral no Brasil e as tensões no ambiente internacional. “O rumo das eleições provoca muita instabilidade e dúvida por aqui. E no cenário internacional, os EUA estão colocando pressão em muitos países. Tem muita bravata, mas, de todo modo, isso causa muita insegurança entre investidores, cadeias produtivas e empresas”, afirmou.


