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Café lidera alta da cesta básica em 2025 e indústria prevê preços elevados em 2026

Mesmo com expectativa de boa safra, estoques globais baixos e custos acumulados mantêm café como item mais pressionado no orçamento do consumidor

Café brasileiro (Foto: Reuters)

247 - O café foi o produto com maior alta entre os itens da cesta básica em 2025 e deve seguir em patamar elevado ao longo de 2026, apesar da expectativa de aumento da oferta no Brasil. A avaliação é da indústria, que aponta que a próxima colheita deverá ser usada principalmente para recompor estoques mundiais do grão, hoje em níveis historicamente baixos, o que limita uma queda mais consistente dos preços ao consumidor, segundo o G1.

De acordo com Pavel Cardoso, presidente da Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic), mesmo um cenário de safra positiva não será suficiente, no curto prazo, para aliviar de forma significativa os valores praticados no varejo. “Seriam necessárias ao menos duas boas safras, ou seja, boa colheita por dois anos seguidos, para gerar uma queda real nos preços do café”, afirmou.

Dados da Abic mostram que o faturamento da indústria de café torrado cresceu 25,6% em 2025 na comparação com o ano anterior, alcançando R$ 46,24 bilhões. Esse avanço foi impulsionado principalmente pelo aumento dos preços nos supermercados. Entre 2021 e 2025, o valor do café para o consumidor subiu 116%, percentual inferior à elevação enfrentada pela indústria na compra da matéria-prima. No mesmo período, o preço do café arábica — variedade mais consumida no Brasil — acumulou alta de 212%.

Apesar do encarecimento, Cardoso avalia que o consumo interno segue relativamente estável. “Qualquer baixa do preço na prateleira, o consumidor já faz uma compra adicional e monta seu próprio estoque em casa. Ele não abre mão do café”, disse.

O estudo da Abic analisou seis produtos da cesta básica em 2025. Quatro apresentaram queda de preços em relação a 2024: açúcar (-13,3%), leite (-4,9%), arroz (-31,1%) e feijão (-14,3%). Apenas dois itens registraram alta no período: o óleo de soja, com aumento de 1,2%, e o café torrado e moído, que ficou 5,8% mais caro.

Segundo a indústria, o encarecimento do café decorre de uma combinação de fatores. Entre eles estão o aumento de tarifas aplicado pelos Estados Unidos sobre o café brasileiro, que pressionou as cotações na Bolsa de Nova York, referência global para o grão; os baixos estoques internacionais, consequência de quatro anos consecutivos de redução da produção nos principais países produtores devido a problemas climáticos; e a queda na colheita, especialmente do café arábica, mais sensível às variações do clima.

Outro elemento citado é o repasse parcial dos custos ao consumidor. Cardoso afirma que, caso toda a alta acumulada desde 2021 fosse transferida integralmente aos preços finais, o café ainda teria espaço para subir cerca de 70%.

Para 2026, a avaliação da Abic é de que o Brasil deverá registrar uma boa safra, favorecida por condições climáticas mais equilibradas no ano anterior. Segundo Cardoso, o fenômeno La Niña provocou menos extremos nas regiões produtoras, permitindo calor e chuvas em momentos considerados adequados para o desenvolvimento das lavouras.

Ainda assim, o foco imediato da indústria é a recomposição dos estoques. Com maior disponibilidade de grãos, a expectativa é de menor volatilidade de preços, o que pode abrir espaço para ações promocionais no varejo. Sinais pontuais de alívio já foram observados no fim de 2025. Em dezembro, o café tradicional extraforte ficou 7,1% mais barato em relação ao mês anterior, após a redução do preço da matéria-prima.

O café em cápsulas também registrou queda de 13,2% em dezembro na comparação com novembro. Em relação a janeiro de 2025, a redução chega a 16,8%. Cardoso explica que esse comportamento está ligado à quantidade diferente de café utilizada por quilo comercializado nas cápsulas, além de possíveis acordos da indústria para vender o produto a preços menores a partir de abril, após a queda nas cotações, impulsionada pela expectativa de uma boa safra de robusta.

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