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Fundo da BlackRock ligado ao Brasil atrai o maior fluxo de investimentos em 10 anos

Forte entrada de capital indica confiança no mercado brasileiro e expectativa de queda de juros

Painel da B3, em São Paulo 05/08/2024 REUTERS/Carla Carniel (Foto: Carla Carniel)

247 - O ETF da BlackRock voltado ao mercado acionário brasileiro registrou sua maior entrada diária de recursos desde 2017, refletindo o aumento do interesse global por ativos do país e a expectativa de um ambiente econômico mais favorável nos próximos meses. O movimento reforça a confiança de investidores estrangeiros no potencial das ações brasileiras em meio a mudanças no cenário internacional.

Segundo reportagem da Bloomberg, investidores destinaram mais de US$ 337 milhões ao iShares MSCI Brazil ETF (EWZ) na segunda-feira (14), o maior fluxo diário para o fundo em quase nove anos. O ETF, que administra cerca de US$ 11,3 bilhões e é o maior listado nos Estados Unidos com foco em ações brasileiras, tem atraído capital ao longo de 2026, impulsionado pela diversificação de carteiras fora dos ativos norte-americanos.

Interesse estrangeiro impulsiona mercado brasileiro

O aumento da demanda por ações brasileiras ocorre em um contexto de maior apetite global por risco, com investidores buscando oportunidades em mercados emergentes. Fatores como a valorização das commodities, os juros reais elevados e a menor dependência do país em relação à importação de petróleo contribuem para esse cenário.

O gestor de portfólio da Deltec Asset Management, Greg Lesko, destacou o protagonismo do capital estrangeiro na recente valorização do mercado local. “O Brasil atraiu fluxos significativos de investidores estrangeiros, e a próxima etapa deve ser sustentada pela participação doméstica à medida que a queda dos juros torne as ações mais atraentes”, afirmou.

Expectativa de juros menores e eleições influenciam cenário

As apostas em um ciclo de redução das taxas de juros e a possibilidade de políticas econômicas mais favoráveis após as eleições presidenciais de outubro têm reforçado o interesse pelo mercado brasileiro. No primeiro trimestre de 2026, o ETF acumulou mais de US$ 1,6 bilhão em entradas, o melhor desempenho para o período desde 2009.

Mesmo diante da volatilidade global recente, especialmente causada por tensões no Oriente Médio, as ações brasileiras demonstraram resiliência. Em março, o EWZ recuou apenas 0,9%, enquanto o ETF de mercados emergentes iShares MSCI Emerging Markets (EEM) registrou queda de 9,2%.

Brasil ganha destaque entre mercados emergentes

Analistas apontam que o Brasil ocupa uma posição favorável no cenário internacional atual. Para Thea Jamison, diretora da Change Global Investment, o país apresenta fundamentos sólidos mesmo em condições adversas. “O Brasil está em uma posição privilegiada. A volatilidade global chama atenção para as oportunidades locais, e qualquer ciclo de queda de juros pode ser um forte catalisador para as ações”, disse.

Com a perspectiva de juros em queda e um ambiente político em transição, o mercado acionário brasileiro tende a seguir como destino relevante para investidores globais ao longo do ano.

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