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Homerun Resources investe R$ 1,7 bilhão em fábrica de vidro para placas de energia solar na Bahia

Projeto em Belmonte prevê produção de 365 mil toneladas anuais e início das operações no segundo semestre de 2028

Homerun Resources investe R$ 1,7 bilhão em fábrica de vidro para placas de energia solar na Bahia (Foto: William Brisida/Itaipu Binacional)

247 - A canadense Homerun Resources anunciou investimento de R$ 1,725 bilhão para instalar uma unidade industrial no litoral da Bahia destinada à produção de vidro para painéis solares. O projeto será desenvolvido por meio da subsidiária Homerun Brasil Mineração, no município de Belmonte, a cerca de duas horas de Porto Seguro.

As informações foram divulgadas pela Broadcast, do Grupo Estado, em reportagem publicada nesta sexta-feira (20). Segundo a apuração, a empresa planeja iniciar a operação no segundo semestre de 2028, com expectativa de faturamento anual de US$ 273 milhões.

A unidade deverá industrializar sílica de alta pureza e produzir mil toneladas diárias de vidro, totalizando 365 mil toneladas por ano. Para isso, serão utilizadas aproximadamente 300 mil toneladas anuais de areia. A produção será voltada principalmente ao mercado brasileiro, com potencial de reduzir a dependência de importações.

De acordo com o diretor de Operações da Homerun Resources, Armando Farhate, o Brasil enfrenta dificuldades na importação do insumo. “O vidro é uma peça cuja importação é problemática: é caro e frágil. Isso se reflete no preço dos painéis”, afirmou. Ele acrescentou que, no mercado nacional, o custo chega a ser o dobro do praticado na China.

Atualmente, a fabricação de painéis solares está concentrada em diversos países, especialmente China e Estados Unidos, mas a produção de vidro específico para esses equipamentos ocorre principalmente na China e, em menor escala, na Índia.

A reserva mineral explorada pela companhia em Belmonte é estimada em 200 milhões de toneladas de sílica de alta qualidade. Segundo Farhate, o material da região apresenta características que facilitam o beneficiamento, com menor presença de impurezas, sobretudo ferro. “Talvez seja a melhor sílica de alta pureza do mundo Ocidental. Na China, não temos certeza do que há”, declarou.

Nos painéis solares, o vidro atua como proteção dos componentes que captam a luz e precisa permitir alta passagem de luminosidade. Impurezas como partículas de ferro podem provocar coloração amarelada e reduzir a eficiência energética. “Por causa da pureza da nossa sílica, o nosso vidro não terá esse tipo de coloração, garantindo maior eficiência na exposição à luz”, explicou o executivo.

Outro diferencial apontado é a dispensa do uso de antimônio no processo produtivo. O metal pesado, tradicionalmente empregado para captura de ferro, é tóxico e encarece a produção. “Praticamente não há reciclagem hoje em dia”, afirmou Farhate ao comentar os impactos ambientais do método convencional.

Além da fabricação de vidro, a empresa estuda comercializar areia bruta no mercado interno, com potencial de vendas de dezenas de milhares de toneladas por mês. O projeto está em análise técnica e pode ser implementado nos próximos meses.

Há ainda planos para instalar uma planta de purificação de sílica voltada a segmentos de maior valor agregado, com capacidade estimada de 120 mil toneladas anuais e prazo de implantação de cerca de 12 meses.

Instalada na Bahia desde 2023, a mineradora atua em área concedida pela Companhia Baiana de Produção Mineral (CBPM), que firmou contrato de leasing com pagamento aproximado de R$ 50 por tonelada em royalties pela utilização da areia. O modelo prioriza o beneficiamento e a agregação de valor no país.

A extração da sílica será realizada por empresas parceiras, enquanto a Homerun ficará responsável pelo beneficiamento e pela produção do vidro. A companhia aguarda a conclusão do estudo de viabilidade bancária e a emissão do certificado de viabilidade industrial, prevista para até o segundo trimestre de 2026.

O financiamento é apontado como principal obstáculo. “O ambiente econômico brasileiro não é favorável, com juros altos, burocracia e condicionantes socioambientais”, disse Farhate. Segundo ele, o BNDES pré-aprovou R$ 550 milhões — cerca de um terço do investimento total. A empresa também pretende buscar garantias junto a bancos do Canadá e da Alemanha para aquisição de equipamentos pesados, estimados em 120 milhões de euros.

O projeto depende ainda do asfaltamento de um trecho de 15 quilômetros, para o qual já existe carta de intenções da prefeitura. O projeto executivo foi concluído em dezembro, e a execução das obras de infraestrutura deverá ocorrer a tempo de viabilizar a construção da fábrica.

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