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Consórcio liderado pela Chevron amplia exploração de gás natural em águas profundas da Grécia

Acordo exclusivo firmado com o governo grego prevê pesquisas em quatro blocos ao sul do Peloponeso e de Creta

Chevron (Foto: Reprodução)

247 - Um consórcio liderado pela petroleira norte-americana Chevron assinou novos contratos de concessão exclusiva para explorar gás natural em águas profundas no sul da Grécia, em uma movimentação que amplia a presença dos Estados Unidos no Mediterrâneo oriental e reforça a disputa geopolítica por fontes alternativas de energia na região.

O acordo, firmado nesta segunda-feira (16), prevê que a Chevron lidere atividades de prospecção em quatro blocos marítimos localizados ao sul da península do Peloponeso e da ilha de Creta, cobrindo uma área total de aproximadamente 47 mil quilômetros quadrados.

A concessão dobra a extensão das áreas marítimas gregas disponíveis para exploração energética e ocorre em um momento de reconfiguração do mercado europeu de gás. A União Europeia vem acelerando esforços para reduzir sua dependência do fornecimento russo, enquanto empresas dos Estados Unidos buscam ocupar espaço como potenciais fornecedoras de energia para o continente.

O avanço da Chevron acontece poucos meses após outro movimento relevante no setor: em novembro, a norte-americana ExxonMobil se uniu às empresas Energean e Helleniq para buscar gás em outro bloco no mar, desta vez no oeste do território grego. A sequência de acordos evidencia a intensificação do interesse de grandes grupos internacionais pelas reservas ainda não exploradas do país.

Segundo as informações divulgadas, o novo contrato foi possível após a Chevron e a Hellenic Energy — maior refinaria de petróleo da Grécia — vencerem uma licitação internacional realizada no ano passado, garantindo o direito de liderar o processo de pesquisa nos blocos concedidos.

A Grécia, que não possui produção doméstica de gás natural, depende integralmente de importações para abastecer tanto a geração de energia quanto o consumo interno. A retomada do interesse do país por exploração offshore ganhou força após o choque nos preços globais em 2022, provocado pela invasão da Ucrânia pela Rússia, que alterou profundamente o equilíbrio energético europeu.

Embora a União Europeia esteja ampliando rapidamente sua capacidade de geração por fontes renováveis para reduzir emissões de gases de efeito estufa, o bloco tem reconhecido a necessidade de manter o gás natural como combustível de transição. A avaliação é de que o recurso ainda será necessário para garantir estabilidade à rede elétrica em períodos em que a produção eólica e solar, por sua natureza intermitente, não esteja disponível.

Apesar do anúncio, a exploração ainda depende de etapas formais e de um cronograma prolongado. O parlamento grego precisará aprovar os contratos antes que o consórcio possa iniciar pesquisas sísmicas, previstas para ocorrer no fim deste ano.

O governo grego informou que o grupo liderado pela Chevron terá até cinco anos para localizar depósitos com potencial de recuperação comercial. Ainda assim, qualquer perfuração de teste não deve ocorrer antes do período entre 2030 e 2032, o que indica que a exploração efetiva, caso se confirme a viabilidade econômica, será um projeto de longo prazo.

Além disso, a ExxonMobil e a Helleniq já possuem licença para procurar hidrocarbonetos em outros dois blocos de águas profundas ao sul de Creta. As empresas ainda analisam dados sísmicos antes de decidir se avançarão para uma etapa de perfuração exploratória nessas áreas.

Com a assinatura do novo acordo, a Grécia consolida seu esforço para atrair investimentos internacionais no setor energético, ao mesmo tempo em que se posiciona como possível futura fornecedora de gás no Mediterrâneo oriental, região considerada estratégica para a segurança energética europeia.

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