Impacto do sequestro de Maduro no preço do petróleo deve ser limitado, aponta Moody's
Avaliação aponta que oferta global não deve mudar de forma relevante em 2026
247 - O sequestro de Nicolás Maduro deve provocar efeitos restritos sobre os preços internacionais do petróleo ao longo de 2026, sem alterar de maneira significativa a oferta global da commodity. A avaliação considera que a produção venezuelana, nas condições atuais, não tem escala suficiente para influenciar o mercado internacional no curto e no médio prazo.
No cenário de longo prazo, a mudança política pode abrir espaço para a retomada de investimentos estrangeiros na indústria petrolífera da Venezuela. Ainda assim, o volume de recursos necessários e o tempo exigido para recuperar campos e infraestrutura tornam improvável um impacto relevante nos preços globais do petróleo mesmo em um horizonte intermediário.
No curto prazo, qualquer aumento pontual de petróleo venezuelano direcionado aos Estados Unidos tende a ampliar os diferenciais de preço do petróleo pesado. Esse movimento pode beneficiar de forma moderada refinarias norte-americanas especialmente adaptadas a esse tipo de óleo, como Valero Energy, Marathon Petroleum e CITGO Petroleum.
Caso haja uma abertura mais ampla do setor petrolífero venezuelano, os principais beneficiários devem ser produtores com atuação atual ou passada no país, entre eles Chevron, ConocoPhillips e ExxonMobil. Empresas europeias que mantiveram ativos na Venezuela, como Eni e Repsol, também estariam bem posicionadas para aproveitar uma eventual melhora no acesso aos recursos, assim como prestadores globais de serviços para campos petrolíferos, a exemplo da SLB e da Halliburton.
A análise destaca ainda que a infraestrutura do setor de petróleo na Venezuela sofreu forte deterioração ao longo dos últimos anos, o que limita a capacidade de expansão rápida da produção. Mesmo com investimentos, o processo de recuperação exigiria tempo prolongado para gerar volumes capazes de influenciar o equilíbrio entre oferta e demanda no mercado global.
O contexto geopolítico envolvendo os Estados Unidos também entra no radar do mercado. O atual presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sinalizou interesse em integrar parte da produção venezuelana ao mercado norte-americano, movimento que, até o momento, reforça a percepção de estabilidade ou de variações contidas nos preços do petróleo.
No conjunto, a avaliação indica que uma eventual transição política na Venezuela tem maior peso para decisões futuras de investimento do que para oscilações expressivas nos preços do petróleo em 2026, dado o papel hoje limitado do país na oferta mundial da commodity.


