Casa Branca fala em "acordo histórico" por petróleo venezuelano, afrouxa sanções e diz ter controle sobre Caracas
Washington está revertendo seletivamente as sanções contra o petróleo venezuelano, disse o Departamento de Energia dos EUA
247 – Os Estados Unidos estão trabalhando com as autoridades interinas da Venezuela no "acordo energético histórico” entre os dois países, afirmou nesta quarta-feira (7) a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt.
“O secretário [de Energia, Chris] Wright e o Departamento de Energia estão trabalhando com as autoridades interinas e também com a indústria privada de petróleo para implementar este acordo energético histórico”, disse Leavitt a jornalistas, de acordo com declarações divulgadas pela Sputnik.
A PDVSA, estatal petroleira da Venezuela, confirmou nesta quarta-feira em nota oficial que busca chegar a um acordo com os EUA para a venda de petróleo bruto.
Segundo ela, o acordo é benéfico não apenas para os Estados Unidos, mas também para a Venezuela. Leavitt acrescentou que as autoridades interinas concordaram em liberar petróleo para os EUA.
Mais cedo nesta quarta-feira, o Departamento de Energia dos EUA (DOE, na sigla em inglês) declarou que Washington está revertendo seletivamente as sanções contra o petróleo venezuelano para viabilizar seu transporte e comercialização. “Os Estados Unidos estão revertendo seletivamente as sanções para permitir o transporte e a venda de petróleo bruto e derivados venezuelanos aos mercados globais”, afirmou o DOE em comunicado.
Washington passou a comercializar o petróleo bruto venezuelano no mercado internacional em benefício dos Estados Unidos, da Venezuela e de aliados norte-americanos, acrescentou o departamento. Segundo o comunicado, petróleo leve dos EUA será enviado à Venezuela para otimizar a produção e o transporte do petróleo extremamente pesado venezuelano.
Na coletiva, Leavitt disse ainda que os Estados Unidos têm influência máxima sobre as autoridades interinas da Venezuela. “Obviamente, temos influência máxima sobre as autoridades interinas da Venezuela neste momento”, disse.
Nesse sentido, ela descartou colaborar com forças da oposição venezuelana por enquanto. “É prematuro demais e cedo demais para ditar um calendário para eleições na Venezuela”, disse Leavitt.
As exportações de petróleo da Venezuela, que caíram a um nível mínimo em meio ao bloqueio imposto pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a todos os petroleiros sancionados, estão paralisadas porque os capitães dos portos não receberam pedidos de autorização para a saída de embarcações já carregadas, informou a Reuters no último domingo (4).
Em 3 de janeiro, os Estados Unidos lançaram um ataque em larga escala contra a Venezuela, sequestrando o presidente venezuelano, Nicolás Maduro, e sua esposa, Cilia Flores, e levando-os para Nova York. Trump anunciou que Maduro e Flores seriam julgados por suposto envolvimento com “narco-terrorismo” e por representarem uma ameaça, inclusive aos Estados Unidos.
Nesse contexto, a presidente encarregada da Venezuela, Delcy Rodríguez, anunciou a nomeação do novo chefe de sua equipe econômica, cargo que permanecia vago desde o sequestro do presidente Maduro pelos Estados Unidos. Calixto Ortega Sánchez, ex-chefe do Banco Central, foi designado vice-presidente para a área econômica, cargo anteriormente ocupado pela própria Rodríguez. Ele chegou a ser rotulado como “czar” do setor pela agência AFP.



