JBS inaugura centro de biotecnologia em Santa Catarina para desenvolver "superproteínas"
Unidade em Florianópolis reúne laboratórios, IA e supercomputação para criar proteínas funcionais e ampliar valor na cadeia alimentar
247 - A JBS inaugurou nesta quarta-feira (1º), em Florianópolis (SC), um centro de biotecnologia voltado ao desenvolvimento de proteínas funcionais, chamadas de “superproteínas”, consolidando uma nova estratégia para ampliar o valor agregado na cadeia de alimentos.
O empreendimento, batizado de JBS Biotech, recebeu investimento de US$ 37 milhões no Brasil e integra o avanço da companhia em biotecnologia, segmento considerado estratégico diante do crescimento da demanda global por alimentos com maior qualidade nutricional.
Localizado no Sapiens Parque, o centro foi projetado para atuar em todas as etapas do processo, desde a pesquisa básica até a aplicação industrial. A estrutura inclui mais de 20 laboratórios integrados, além de recursos de supercomputação, biobanco e ferramentas de inteligência artificial voltadas ao desenho e à produção de proteínas com características específicas.
A CEO da JBS Biotech, Fernanda Berti, destacou que a iniciativa representa um novo patamar na compreensão e no desenvolvimento de proteínas. “Estamos entrando em uma nova fronteira, em que é possível entender a proteína em nível molecular e desenvolver soluções com características nutricionais e funcionais definidas”, afirmou.
De acordo com o CEO global da JBS, Gilberto Tomazoni, o centro amplia a capacidade da empresa de desenvolver produtos com maior valor agregado. “Trata-se do desenvolvimento de biotecnologia aplicada à cadeia produtiva, para criar e agregar valor à produção de alimentos”, disse.
As pesquisas realizadas no local integram áreas como biotecnologia, fisiologia, farmacologia e ciência de dados, com foco na criação de proteínas com perfis específicos de aminoácidos, digestibilidade e funcionalidade. Entre as aplicações previstas estão alimentos, suplementos, ingredientes funcionais e soluções voltadas à saúde animal.
A estrutura também foi concebida para reduzir o tempo entre a pesquisa e a chegada ao mercado, permitindo a realização de experimentos laboratoriais e testes em escala produtiva dentro da mesma plataforma. Atualmente, o desenvolvimento de novos produtos pode levar de três a cinco anos, considerando etapas regulatórias.
Outro eixo do projeto é o aproveitamento de coprodutos da cadeia produtiva. Tecnologias de extração e bioconversão permitem transformar resíduos em ingredientes de maior valor agregado, como colágeno funcional, enzimas e compostos bioativos, reforçando práticas de economia circular.
A inauguração ocorre em um cenário de aumento da demanda global por proteínas e maior exigência por qualidade nutricional. “Essa iniciativa nasce da nossa convicção de que ciência, tecnologia e inovação são essenciais para garantir a segurança alimentar em um mundo em rápida transformação”, afirmou Tomazoni.

