Obras do túnel Santos-Guarujá começam em fevereiro
Cerimônia com Lula deve lançar ordem de serviço da maior obra do Novo PAC
247 - O ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho (Republicanos), informou na quarta-feira (14) que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deverá ir à Baixada Santista na primeira semana de fevereiro para marcar o início das obras do túnel que ligará Santos e Guarujá. A data exata ainda será definida, mas o evento está previsto para ocorrer entre os dias 2 e 10 do mês.
Segundo o ministro, a cerimônia marcará o lançamento da Pedra Fundamental e a assinatura da ordem de serviço que autoriza o início da construção. “O Presidente Lula estará indo, na 1ª semana de fevereiro, em Santos, anunciar a ordem de serviço dessa obra tão sonhada pelo Estado de São Paulo e pela Baixada Santista”, afirmou Silvio Costa Filho em entrevista a jornalistas, em Brasília.
Considerado estratégico para o país, o túnel Santos-Guarujá terá impacto direto no escoamento de cargas do Porto de Santos, o maior do Brasil, além de melhorar a mobilidade urbana na região. A nova ligação deverá integrar os fluxos viários entre as duas cidades e reduzir gargalos históricos no trânsito local.
O projeto foi leiloado em setembro de 2025, em parceria entre o governo federal e o governo do Estado de São Paulo. Classificada como a maior obra de infraestrutura do Novo PAC, a concessão terá duração de 30 anos no modelo de parceria público-privada (PPP). Com o túnel em operação, a travessia entre Santos e Guarujá, que hoje pode levar até 18 minutos por balsa ou cerca de uma hora pela rodovia Cônego Domênico Rangoni, deverá ser feita em aproximadamente cinco minutos.
A estrutura, aguardada há mais de um século, será o primeiro túnel submerso do Brasil e o maior da América Latina. O projeto prevê três faixas de rolamento por sentido, sendo uma preparada para a futura implantação do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT), além de ciclovia, passarela para pedestres e uma galeria técnica destinada a redes de serviços públicos, como água, energia e telecomunicações.
A construção utilizará o método de túnel imerso, técnica já adotada em países como Holanda, Japão e China, mas inédita no Brasil. Nesse sistema, módulos de concreto pré-moldados são produzidos em terra firme e posteriormente posicionados no fundo do canal, diferentemente dos túneis escavados em rocha. O empreendimento é classificado como “greenfield”, desenvolvido sem infraestrutura prévia e com base em projeções futuras de demanda.
A vencedora do leilão foi a construtora portuguesa Mota-Engil, controlada em 32,41% pela China Communications Construction Company (CCCC). Embora a Mota-Engil não tenha experiência direta em túneis imersos, contará com a expertise da parceira chinesa, responsável por grandes obras do gênero, como os túneis submarinos da Baía de Dalian, o sistema Shenzhen–Zhongshan e a ponte-túnel Hong Kong–Zhuhai–Macau.
O consórcio ofereceu desconto de 0,50% sobre a contraprestação pública anual de R$ 438 milhões prevista no edital. Os repasses governamentais ao projeto ocorrerão a partir do início da operação, com recursos compartilhados entre a União e o Estado de São Paulo. A concorrência contou ainda com a espanhola Acciona, responsável pela Linha 6-Laranja do Metrô de São Paulo, que não apresentou desconto na proposta.


