Petrobras mira 100% da demanda nacional de diesel até 2031
Estatal prevê ampliar a produção de diesel A em 500 mil barris por dia e incluirá nova meta no Plano Estratégico 2027-2031
247 - A Petrobras pretende elevar sua meta de refino para atender 100% da demanda brasileira por diesel até 2031, em um movimento alinhado à estratégia do governo federal de ampliar a produção doméstica de combustíveis e reduzir a dependência de importações. As informações são da Agência iNFRA.
A nova diretriz deverá constar do Plano Estratégico 2027-2031 da estatal. No plano em vigor, referente ao período 2026-2030, a companhia previa atingir 85% da demanda nacional em cinco anos. Agora, executivos da Petrobras indicam que o objetivo será chegar à autossuficiência em diesel ao fim do próximo ciclo de planejamento.
Segundo o diretor executivo de Processos Industriais e Produtos da Petrobras, William França, a meta em análise é acrescentar 500 mil barris por dia de diesel A ao portfólio da companhia. A projeção considera uma expansão de 330 mil barris por dia até 2030 e, posteriormente, um acréscimo de ao menos 170 mil barris por dia.
“Isso dá para autossuficiência até com possibilidade de exportação”, afirmou França, durante teleconferência com investidores.
O executivo disse que parte relevante desse aumento virá da ampliação da Refinaria Abreu e Lima, a Rnest, em Pernambuco. O projeto original da unidade previa capacidade de 230 mil barris por dia de diesel em dois trens de refino, mas a estimativa atual é alcançar 300 mil barris por dia até 2028. A Petrobras também projeta ganhos em unidades já existentes, chamadas de brownfields, e em novos empreendimentos greenfields, que, segundo França, serão voltados a biorrefinarias e biodiesel.
Apesar da ampliação da meta, os executivos não citaram projetos de novas refinarias de combustíveis fósseis. O foco apresentado combina expansão de capacidade em ativos atuais, modernizações e novas frentes ligadas a biocombustíveis.
A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, associou a revisão da meta ao cenário internacional, marcado pela guerra no Oriente Médio, que pressionou o mercado global de derivados e evidenciou vulnerabilidades na cadeia de suprimento. Ela afirmou que a companhia vê uma oportunidade, mas ressaltou que os projetos precisam ser conduzidos com segurança e rentabilidade.
“Temos aqui uma grande oportunidade. Com a guerra e os resultados alcançados pela companhia, além da confiança que o mercado tem na Petrobras, estamos tratando, de forma segura e rentável, a oportunidade de atingir a autossuficiência brasileira em diesel. Está nas nossas mãos a análise de projetos que terão a capacidade não apenas de produzir 85% da demanda brasileira até 2030, mas sim de superar essas marcas. E, muito provavelmente, seremos capazes de entregar um parque de refino capaz de entregar 100% da demanda brasileira de diesel”, declarou Magda.
A presidente da estatal também destacou que o aumento da produção de diesel tende a vir acompanhado de maior oferta de gasolina, em razão da própria dinâmica do refino de petróleo.
“Então, estamos falando, para o próximo plano de negócios, do atendimento de 100% da demanda de diesel e gasolina”, disse.
O avanço da produção de derivados já vem sendo sustentado por obras de expansão e revamps na Rnest. O termo se refere a processos de modernização e aumento de capacidade de refinarias. Além disso, a Petrobras tem elevado o Fator de Utilização Total, o FUT, de seu parque de refino.
Em março, o FUT médio das refinarias da companhia chegou a 97,4%, o maior nível para um mês desde dezembro de 2014. Nos dois últimos meses, diante da demanda mais aquecida e das importações restritas, esse indicador ultrapassou 100%, com unidades operando acima da capacidade máxima nominal.
De acordo com França, entre segunda-feira (11) e terça-feira (12), o FUT das refinarias da Petrobras teria alcançado 103%, sinalizando o esforço operacional da companhia para ampliar a oferta nacional de combustíveis.



