Chambriard critica venda da BR Distribuidora, Liquigás e refinaria de Mataripe: "para quem foi bom?"
Presidente da Petrobras questiona quem ganhou com privatizações da estatal
247 - A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, criticou nesta quarta-feira (6) a venda de ativos estratégicos da estatal realizada nos últimos anos e questionou quem teria sido beneficiado pelas privatizações da BR Distribuidora, da refinaria de Mataripe, na Bahia, e da Liquigás. Segundo Chambriard, dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) apontam um avanço expressivo nas margens da distribuição de combustíveis em meio ao cenário internacional de conflitos.
“Como eu gosto de perguntar, para quem foi bom a venda da BR Distribuidora, da Refinaria da Bahia, da Liquigás?”, escreveu a presidente da Petrobras no LInkedin, de acordo com o Valor Econômico. A executiva afirmou ainda que a margem de lucro na revenda do óleo diesel aumentou 124%, enquanto a da gasolina avançou 44%.
Privatização da BR Distribuidora volta ao debate
Magda Chambriard também destacou que a Petrobras deixou de controlar os postos com sua marca após a privatização da BR Distribuidora, concluída em 2021. Segundo ela, a marca Petrobras foi negociada junto com a operação da empresa até 2029.
O contrato firmado no processo de privatização prevê cláusula de não concorrência nesse período, além da autorização para o uso da marca “BR” pela Vibra Energia. A fala da executiva reacende o debate sobre os efeitos da política de venda de ativos implementada nos últimos anos pela estatal.
Refinaria de Mataripe segue em negociação
Outro ponto citado pela presidente da Petrobras foi a venda da refinaria de Mataripe, na Bahia. A unidade foi adquirida em 2021 pela Acelen, controlada pelo fundo Mubadala Capital, dos Emirados Árabes Unidos, durante o governo de Jair Bolsonaro (PL). Mataripe é uma das maiores refinarias do país, com capacidade de processamento de cerca de 320 mil barris de petróleo por dia.
Com a volta de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à Presidência da República, a Petrobras passou a demonstrar interesse em retomar o controle da refinaria. As negociações chegaram a ser iniciadas, mas ainda não houve acordo sobre o valor da operação.
Liquigás também foi alvo de críticas
A Liquigás, antiga subsidiária da Petrobras responsável pelo engarrafamento, distribuição e comercialização de gás liquefeito de petróleo (GLP), também foi mencionada por Chambriard. A venda da empresa foi concluída em dezembro de 2020 para um consórcio formado por Copagaz, Itaúsa e Nacional Gás, atualmente reunidas na Copa Energia.
Petrobras explica política de preços
Na publicação, Chambriard também compartilhou um link com explicações da Petrobras sobre a formação dos preços dos combustíveis e os critérios utilizados pela estatal para definir reajustes.
Segundo a companhia, a política comercial não promove alterações automáticas nem imediatas diante das oscilações do mercado internacional. A Petrobras afirma ainda que busca equilibrar sustentabilidade financeira e previsibilidade para os consumidores, destacando que as decisões sobre reajustes seguem critérios técnicos e responsáveis.
Discussão sobre impostos da gasolina
Na semana passada, Chambriard declarou que a Petrobras poderá reajustar os preços da gasolina caso seja aprovado o projeto de lei que permite ao governo compensar desonerações fiscais sobre combustíveis com receitas extras obtidas do petróleo.
A proposta prevê o uso de recursos como royalties, participações especiais, bônus de assinatura e receitas da comercialização do petróleo da União no pré-sal.
Segundo a executiva, a medida poderia permitir a redução de tributos federais, como PIS/Cofins, evitando que eventuais reajustes fossem repassados integralmente ao consumidor final.
O governo federal já concedeu subsídios ao óleo diesel, ao gás de cozinha e ao querosene de aviação, mas ainda não promoveu redução de impostos federais sobre a gasolina.


