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Petrobras retoma estudos em 37 bacias sedimentares

Projeto revisa cartas estratigráficas e reúne dados de bacias terrestres e marítimas do Brasil

Sonda de perfuração NS-42 (Foto: Divulgação Foresea/Agência Petrobras)

247 - A Petrobras retomou projetos de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação em 37 bacias sedimentares brasileiras para revisar as cartas estratigráficas, documentos técnicos que ajudam a reconstruir a evolução geológica dessas áreas ao longo do tempo. A iniciativa reúne dados de bacias terrestres e marítimas e deve apoiar novas pesquisas geológicas no Brasil.

Segundo a Petrobras, o trabalho tem caráter científico e busca atualizar e padronizar dados já utilizados por estudantes, pesquisadores e pela indústria em edições anteriores do projeto, realizadas em 1994 e 2007.

Em nota, a estatal afirmou que a iniciativa não tem finalidade comercial de exploração de petróleo. “O projeto já foi coordenado pela Petrobras em duas edições anteriores, 1994 e 2007, servindo de base didática para estudantes e pesquisadores e para a indústria. Não se trata de um projeto exploratório com objetivos comerciais, mas de um trabalho científico de atualização e normalização de informações”, declarou a empresa.

Integração com universidades e o SGB

Em 15 das bacias analisadas, o projeto contará com cooperação entre a Petrobras, pesquisadores de universidades de diferentes regiões do país e o Serviço Geológico do Brasil, uma das instituições científicas contratadas por meio de chamada pública.

A parceria deve combinar informações acumuladas pela Petrobras em subsuperfície com mapeamentos de superfície e avaliações de recursos minerais, área de atuação do SGB.

“Essa parceria permitirá integrar décadas de dados de subsuperfície, coletados pela estatal, com o mapeamento de superfície e a avaliação de recursos minerais, especialidade do SGB”, afirmou Cleide Regina Moura da Silva, pesquisadora do SGB e chefe da Divisão de Bacias Sedimentares.

Segundo ela, os resultados poderão beneficiar diferentes áreas de pesquisa e ampliar o acesso a informações técnicas sobre o território brasileiro. “É um trabalho importante para uma gama de produtos que estarão disponíveis para toda a sociedade, como mapas geológicos, bases de dados de paleontologia e geofísica. Isso favorece diversos estudos, desde minerais mais básicos, como areia e calcário, até pesquisas sobre minerais críticos necessários para a produção e transição energética”, disse.

Projeto em fase inicial

O trabalho se encontra na etapa inicial, dedicada à compilação de dados já publicados. Em uma fase posterior, a iniciativa deve avançar para campanhas de campo.

Entre as áreas incluídas no levantamento estão a Bacia do Bananal, localizada entre Goiás e Tocantins, e a Bacia do Marajó, no Pará. O projeto busca atualizar o conhecimento geológico dessas regiões e de outras bacias sedimentares brasileiras, independentemente de seu potencial petrolífero.

O coordenador de pesquisas do Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis, Francismar Ferreira, lembrou que a Bacia do Marajó já despertou interesse para a exploração de petróleo nos anos 1950. No entanto, não houve descobertas significativas nas 18 perfurações realizadas até 1989, o que levou ao abandono das atividades na região.

“Desde 1998, não houve oferta de blocos ou contratação na região. A bacia foi esquecida em termos de exploração de óleo e gás, assim como outras bacias terrestres e menores que se tornaram menos atrativas diante do sucesso exploratório em outras regiões, especialmente no pré-sal”, afirmou Ferreira.

Conhecimento geológico e minerais críticos

O SGB destaca que a revisão das cartas estratigráficas em bacias sem potencial petrolífero também é relevante para compreender a geologia de áreas próximas, inclusive onde podem existir novas acumulações.

Além do interesse acadêmico e científico, o projeto pode contribuir para estudos ligados a minerais básicos e a minerais críticos, considerados importantes para a produção industrial e para a transição energética. A atualização das informações geológicas também deve ampliar a base técnica disponível para pesquisadores, instituições públicas e demais setores interessados no conhecimento das bacias sedimentares brasileiras.

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