Petrobras tem preço-alvo elevado para R$ 47 pela XP
XP eleva recomendação de compra para Petrobras, projeta lucro de US$ 2,4 bilhões e dividendos menores após queda do Brent e aumento de investimentos
247 - A Petrobras (PETR4) teve suas projeções atualizadas pela XP Investimentos, que elevou o preço-alvo da estatal para R$ 47 por ação e manteve a recomendação de compra, citando melhora do cenário de mercado e ajustes no modelo de valuation. A revisão ocorre em meio à valorização das ações em 2026 e à recuperação parcial do petróleo Brent, que voltou ao patamar de aproximadamente US$ 70 por barril.
As informações constam de relatório publicado pela XP Investimentos, que também antecipa números do desempenho da companhia no 4º trimestre de 2025, cujos resultados serão divulgados em quarta-feira (5). A casa estima um trimestre de desaceleração operacional em relação ao período anterior, com impacto direto da queda no preço do petróleo.
EBITDA e lucro devem recuar com Brent mais fraco
Segundo as estimativas da XP, o EBITDA da Petrobras deve cair para US$ 11,1 bilhões, representando uma retração de 7,1% na comparação trimestral. O recuo é atribuído principalmente à queda do Brent para US$ 63 por barril, um nível 7,4% inferior ao registrado no 3º trimestre, quando o petróleo era negociado ao redor de US$ 68.
Mesmo assim, a corretora ressalta que há espaço para variação relevante no resultado. O modelo utilizado indica um intervalo provável de EBITDA entre US$ 9,9 bilhões e US$ 12,6 bilhões.
O lucro líquido projetado para o trimestre é de US$ 2,4 bilhões, refletindo um ambiente ainda positivo, mas com pressões adicionais vindas de custos e efeitos de mercado.
Dividendos devem ficar abaixo do padrão recorrente
No campo do fluxo de caixa, a XP estima que a Petrobras deve registrar FCFE (fluxo de caixa livre para o acionista) de US$ 649 milhões, com retorno trimestral aproximado de 0,6%. A projeção incorpora um trimestre pressionado por investimentos elevados e saídas de caixa consideradas pontuais.
Entre os fatores que pesam no resultado, a XP menciona o pagamento de US$ 1,3 bilhão referente ao leilão de áreas não contratadas e mais US$ 258 milhões relacionados ao acordo de unitização do campo de Jubarte.
Com isso, a corretora calcula que os dividendos ordinários do trimestre devem somar US$ 1,6 bilhão, o equivalente a um yield trimestral de 1,6%. A XP destaca que esse nível é “substancialmente inferior” ao padrão recorrente observado anteriormente.
Ações sobem forte em 2026 e movimento não seria exclusivo da estatal
O relatório aponta que a valorização recente dos papéis ocorre dentro de um movimento mais amplo do mercado brasileiro. As ações da Petrobras acumulam alta de 24% no ano, enquanto os ADRs sobem 33% em dólares.
No mesmo período, o Ibovespa avança 18% e a Vale registra 24% de valorização. Para a XP, o fluxo de capital estrangeiro ajudou a impulsionar ativos brasileiros e emergentes, reforçando o desempenho de grandes empresas listadas.
Além disso, o avanço do Brent — que saiu de mínimas próximas a US$ 60 no início do ano para a faixa de US$ 70 — também teria contribuído para o aumento do otimismo em relação ao setor de petróleo e gás.
XP eleva preço-alvo e reforça tese de valorização
Com base nesse novo ambiente, a XP elevou o preço-alvo da Petrobras de US$ 13,5/ADR para US$ 17,4/ADR, o que equivale a R$ 47 por ação no mercado brasileiro. Segundo a corretora, o ajuste foi motivado principalmente pela mudança na taxa de desconto aplicada ao modelo.
A XP passou a trabalhar com um prêmio de risco menor e uma taxa de desconto de 13,7% em dólares, o que alterou o valuation estimado. Na prática, o novo preço-alvo embute um FCFE yield de cerca de 6% e um patamar próximo de 8% em 2026 e 2027, abaixo do nível projetado anteriormente.
A casa avalia que a Petrobras continua com espaço para seguir como ação de forte desempenho e valuation considerado competitivo, mesmo com Brent em torno de US$ 65 por barril.
Produção ficou estável no trimestre, mas refinarias reduziram utilização
A Petrobras divulgou seu relatório de produção e vendas na terça-feira (10). Os dados mostram que a produção de petróleo ficou em 2,5 milhões de barris por dia, uma queda de 16 mil barris diários em relação ao trimestre anterior.
No pré-sal, a produção total permaneceu em 2,1 milhões de barris por dia, sem variação relevante. O desempenho foi influenciado por paradas de manutenção em diversas plataformas, compensadas por aumento de produção em unidades como a FPSO Alexandre de Gusmão e ampliação de capacidade nas FPSOs Almirante Tamandaré e Marechal Duque de Caxias, além da conclusão de projetos complementares.
Já a produção no pós-sal recuou para 355 mil barris por dia, com queda de 11 mil barris diários, concentrando parte importante da retração total.
Outro ponto observado no relatório foi a redução no ritmo das refinarias. A taxa de utilização caiu para 89%, representando diminuição de 5 pontos percentuais em relação ao trimestre anterior.
Riscos incluem petróleo mais barato e pressão de caixa
A XP alerta que, apesar da recomendação positiva, há riscos importantes para o desempenho da Petrobras. Entre eles estão uma possível deterioração do apetite ao risco nos mercados globais, o que elevaria o prêmio exigido por investidores, além da chance de queda do petróleo caso haja alívio de tensões geopolíticas e desequilíbrios entre oferta e demanda.
Outro fator de atenção é a continuidade de pressões sobre o caixa, que pode reduzir a capacidade de pagamento de dividendos.
Ainda assim, a XP considera que o papel segue atrativo diante do atual ciclo de mercado e do posicionamento da Petrobras como uma das principais ações brasileiras com maior liquidez e impacto no fluxo de investidores estrangeiros.


