Raízen vende operação na Argentina por US$ 1,42 bilhão e reforça reestruturação
Venda de ativos para a Mercuria ocorre em meio ao plano de reorganização da dívida de R$ 65 bilhões e à busca por redução da alavancagem financeira
247 - A Raízen anunciou a venda de suas operações de refino, distribuição e comercialização de combustíveis na Argentina para a Mercuria Energy Group por US$ 1,42 bilhão, equivalente a cerca de R$ 7,18 bilhões pelo câmbio atual. A transação foi divulgada nesta quinta-feira (4) e representa mais um passo da companhia em seu processo de reorganização financeira.
Segundo informações publicadas originalmente pela agência Bloomberg, reproduzidas pelo O Globo, a operação ocorre em um momento decisivo para a empresa, que busca reduzir seu elevado nível de endividamento e fortalecer sua estrutura de capital. A companhia informou que os recursos obtidos com a venda serão direcionados à "gestão da estrutura de capital da empresa, fortalecendo sua posição financeira e apoiando suas prioridades estratégicas de longo prazo".
A negociação envolve ativos relevantes da Raízen no mercado argentino e foi anunciada um dia após a apresentação do plano de reestruturação financeira da companhia a seus credores. A empresa tenta viabilizar um acordo extrajudicial para reorganizar uma dívida estimada em R$ 65 bilhões.
Reestruturação financeira em andamento
A Raízen trabalha para obter a adesão de mais de 70% dos credores ao plano de reestruturação até a próxima segunda-feira. O acordo prevê uma ampla reorganização societária e financeira, além de medidas destinadas a reduzir a alavancagem da companhia.
Entre os principais acionistas da empresa estão a Shell e a Cosan, grupo controlado pelo empresário Rubens Ometto por meio da Aguassanta Participações. O plano apresentado aos credores contempla um aporte de R$ 3,5 bilhões por parte da Shell.
Além disso, existe a possibilidade de uma contribuição adicional de R$ 500 milhões por um veículo controlado pela Aguassanta, reforçando os esforços para estabilizar a situação financeira da companhia.
Divisão dos negócios e venda de ativos
Reconhecida como uma das maiores empresas do setor sucroenergético do país, a Raízen atua na produção de açúcar e etanol, na distribuição de combustíveis sob a bandeira Shell e na geração de energia. Apesar de registrar receita anual próxima de R$ 250 bilhões, a companhia acumulou prejuízos nos últimos anos e viu seu endividamento crescer de forma significativa.
Como parte da reestruturação, a empresa pretende separar suas atividades em duas unidades independentes. A Raízen Energia ficará responsável pelos negócios ligados à produção de açúcar e etanol, enquanto a Raízen Combustíveis concentrará as operações de distribuição e comercialização.
A segregação dos negócios está prevista para ser concluída até o fim de 2027. Paralelamente, a administração também pretende avançar em um programa de desinvestimentos de ativos considerados não essenciais.
Busca por investidores e novas alternativas
O plano estratégico ainda prevê a abertura de um processo competitivo para atrair um parceiro investidor para a Raízen Combustíveis ou, alternativamente, realizar a venda de participação acionária na unidade. O objetivo é gerar recursos adicionais para reduzir o nível de endividamento.
Na chamada "Opção A" apresentada aos credores, 45% da dívida reestruturada seria convertida em ações da companhia. Os credores receberiam units compostas por uma ação ordinária e uma ação preferencial.
Os 55% restantes seriam transformados em novos instrumentos de crédito distribuídos entre as duas futuras empresas: 37,4% vinculados à Raízen Combustíveis e 17,6% à Raízen Energia.
Propostas para credores e mudanças na gestão
A "Opção B" prevê um deságio de 80% sobre os créditos dos credores, com pagamento do valor remanescente em parcela única prevista para 31 de março de 2047.
Já a "Opção C" oferece pagamento imediato correspondente ao menor valor entre 75% do crédito devido ou R$ 9.750, respeitando um limite total de R$ 150 milhões.
O plano também inclui mudanças na governança corporativa. O Conselho de Administração passará a contar com sete integrantes. Quatro membros, incluindo o presidente do colegiado, serão indicados pelos credores apoiadores, enquanto três serão nomeados pelo acionista contribuinte. A Shell manterá o direito de indicar ao menos um representante enquanto permanecer em vigor o contrato de licenciamento da marca. A atual diretoria executiva será preservada, e o diretor financeiro Lorival Luz acumulará também a função de diretor de reestruturação.


