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Cosan descarta aporte na Raízen e prevê redução de sua participação

Marcelo Martins diz que ativo deve perder relevância para a Cosan, que busca desalavancagem e avalia dissolução da holding

Logotipo da Cosan (Foto: Divulgação)
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247 - A Cosan não pretende fazer aporte de capital na Raízen e deverá ter sua participação substancialmente reduzida na companhia, afirmou o CEO Marcelo Martins, em teleconferência sobre os resultados do primeiro trimestre de 2026. Segundo o executivo, o ativo deve perder relevância para a holding nos próximos anos, em meio ao processo de recuperação extrajudicial da Raízen e à estratégia de desalavancagem do grupo.

As informações são do Valor Econômico. De acordo com Martins, a Cosan acompanha de perto as negociações da Raízen com credores, mas o processo vem sendo conduzido pela própria empresa. O executivo reforçou que a premissa de não realizar novo aporte segue mantida, o que deve levar a uma queda expressiva da fatia detida pela Cosan, especialmente diante da conversão e da contribuição de capital prevista por parte da Shell, sócia da companhia.

“Nós seguimos o processo de recuperação extrajudicial da Raízen. As conversas com os credores têm evoluído. Obviamente, esse é um processo que está sendo conduzido pela própria companhia. Nós, como acionistas, temos acompanhado isso bem de perto”, afirmou Martins.

O CEO disse que, nesse cenário, a Cosan tende a se tornar acionista minoritária da Raízen. Segundo ele, ainda está em avaliação se a companhia ficará apenas com ações ordinárias ou com uma combinação de ações ordinárias e preferenciais. Em qualquer hipótese, a participação remanescente não deve ser considerada expressiva.

“A gente ainda está decidindo se teremos só ações ordinárias ou se teremos ações ordinárias e preferenciais. Isso também é parte do processo. Mas, de qualquer forma, mesmo que a gente tenha só ações ordinárias, a nossa participação não deve ser expressiva”, declarou.

Martins também sinalizou que a fatia da Cosan na Raízen poderá ser vendida no futuro. Ele ponderou que ainda não há definição sobre prazo nem decisão formal de alienação, mas indicou que a tendência é buscar liquidez em algum momento, sobretudo se a participação se tornar reduzida.

“Nós não sabemos qual é esse horizonte e nem temos ainda uma decisão concreta de que a gente vai vender. Mas eu diria que a tendência, principalmente considerando que vai ser uma participação reduzida, é que [a Cosan] não fará parte de um acordo de acionistas. Esse deixará de ser um investimento relevante e a gente vai, sim, buscar liquidez em algum momento”, disse o executivo.

A Cosan informou ainda que, diante desse contexto, deixou de reconhecer os efeitos da Raízen nas demonstrações financeiras da holding. A decisão ocorre em um momento em que o grupo busca reduzir endividamento e reorganizar sua estrutura societária.

Martins também afirmou ser “bastante razoável” considerar que a própria Cosan, como holding, deixe de existir em um horizonte de três a cinco anos. Segundo ele, o crescimento dos negócios atualmente reunidos sob o guarda-chuva da companhia deverá passar a ser responsabilidade direta das empresas operacionais, que poderão receber aportes de forma independente.

“Nesse horizonte de 3 a 5 anos, acho que é bastante razoável dizer que a Cosan deixará de existir, ou seja, à medida em que a gente tem a conclusão do processo de desinvestimento e de redução da alavancagem, subsequentemente, vamos entender efetivamente o que teremos de ativos e passivos dentro da companhia e ato contínuo, provavelmente faremos a distribuição direta das participações para os acionistas”, afirmou.

O executivo lembrou que essa diretriz já havia sido apresentada em 2025, durante o processo de capitalização da companhia. Para Martins, a prioridade imediata é reduzir o endividamento. A abertura de capital da Compass foi citada como uma etapa relevante desse movimento, ao lado de outras medidas que devem avançar nos próximos meses.

“O primeiro passo é a redução do endividamento e isso é o nosso objetivo atual. A abertura de capital da Compass é um passo muito relevante e existem outros passos que vamos seguir nos próximos meses, com o objetivo de, já dentro desse ano, poder mostrar uma redução substancial da dívida, deixando para o ano que vem, eventualmente, algum saldo residual”, disse.

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