Ipiranga, Raízen e Vibra têm 48 horas para justificar aumento repentino nos preços dos combustíveis
Ministério da Justiça notifica três distribuidoras que respondem por 60% do abastecimento nacional. Suspeita é de reajuste anterior aos efeitos da guerra
247 - As três maiores distribuidoras de combustíveis do Brasil estão na mira do governo federal. Vibra Energia, Ipiranga e Raízen — responsáveis conjuntamente por cerca de 60% do abastecimento nacional — receberam notificação do Ministério da Justiça e têm até a tarde deste sábado (21) para detalhar os reajustes de preços praticados nos últimos dias. A informação foi divulgada nesta quinta-feira (19) pelo jornal Folha de S.Paulo.
O que alimenta a desconfiança do governo é o timing dos reajustes: a suspeita é de que os aumentos foram aplicados antes mesmo que os impactos externos do conflito no Oriente Médio pudessem justificá-los economicamente. Além das três grandes, o Ministério da Justiça também notificou uma quarta distribuidora, a Larco Comercial de Produtos de Petróleo, sediada na Bahia, que solicitou prazo adicional de cinco dias para apresentar as informações após receber a notificação.
Empresas notificadas
O peso das empresas envolvidas ilustra a dimensão do problema. A Vibra Energia, antiga BR Distribuidora, é a líder absoluta do setor, com participação de aproximadamente 22% do mercado nacional. A Raízen, resultado da parceria entre Shell e Cosan, e a Ipiranga, pertencente ao grupo Ultra, dividem entre si uma fatia de cerca de 15% cada uma do mercado de combustíveis no país.
Fiscalização nos postos
Paralelamente às notificações, a Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon) mobilizou mais de 100 Procons espalhados por todo o território nacional para intensificar a fiscalização nos postos de combustíveis. A medida visa coibir abusos no varejo enquanto as investigações sobre o comportamento das distribuidoras avançam.
Medidas do governo para conter os preços
O governo federal também partiu para a ação direta no controle dos preços. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou duas iniciativas para conter a escalada do diesel: um decreto que zerou as alíquotas de PIS e Cofins sobre a importação e a comercialização do combustível, e uma medida provisória que abre caminho para subsídios diretos a produtores e importadores. As medidas, válidas até 31 de dezembro, têm potencial de reduzir o preço do diesel em até R$ 0,64 por litro, de acordo com estimativa do Ministério da Fazenda.
Guerra no Oriente Médio e o impacto no petróleo
O pano de fundo da crise é o conflito armado no Oriente Médio. Em 28 de fevereiro, os Estados Unidos deram início a ataques militares contra o Irã, operação que já resultou na morte de mais de 2 mil pessoas no país e em nações vizinhas da região. Uma das consequências mais devastadoras para a economia global foi o fechamento do Estreito de Ormuz, canal estratégico encravado entre o litoral iraniano e o território de Omã, por onde transita cerca de um quinto de todo o petróleo comercializado no mundo.
Exportações represadas e Brent em alta
Com a passagem bloqueada, grandes produtores da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) — entre eles Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Iraque e Kuwait — tiveram suas exportações severamente comprometidas, perdendo acesso às rotas que abastecem mercados na Ásia, Europa e Américas. O impacto se refletiu diretamente nas cotações internacionais: o Brent, principal referência global do setor, ultrapassou a marca de US$ 115 por barril nesta quinta-feira, atingindo o nível mais alto em mais de uma semana.


