Raízen propõe conversão de dívida e pode ceder até 70% do controle a credores
Plano prevê transformar até 45% da dívida em ações e reconfigurar controle acionário da companhia
247 - A Raízen apresentou uma proposta de reestruturação financeira que pode alterar de forma significativa o controle da companhia. O plano prevê a conversão de ao menos 45% da dívida em ações, o que pode levar os credores a deterem até 70% do capital votante, dependendo das condições finais de precificação dos papéis.
A proposta será discutida em reuniões previstas para a próxima semana em Nova York. Caso as ações sejam avaliadas em torno de 40 centavos — abaixo do valor atual de mercado, próximo de 50 centavos — os credores passariam a concentrar a maior parte das ações ordinárias da empresa.
O movimento busca reduzir a alavancagem da Raízen, atualmente em 5,3 vezes o Ebitda, para um intervalo entre 3 e 3,5 vezes. A reestruturação também abre espaço para uma possível separação entre as operações de açúcar e etanol e o segmento de distribuição de combustíveis.
No modelo proposto, a divisão de açúcar e etanol teria um prazo de oito anos para iniciar o pagamento do principal de suas dívidas, enquanto a área de distribuição contaria com cinco anos. A nova estrutura de governança permitiria aos credores indicar três dos sete integrantes do conselho de administração, mantendo a Shell com a indicação dos quatro restantes.
A empresa já iniciou um processo de reestruturação extrajudicial de aproximadamente R$ 65 bilhões em dívidas. Credores que representam cerca de 47% desse total aderiram às negociações, permitindo o avanço de um plano mais abrangente.
Como parte do esforço de capitalização, a Shell concordou em aportar R$ 3,5 bilhões na companhia. Já Rubens Ometto, fundador da Cosan, comprometeu-se a investir mais R$ 500 milhões. Em contrapartida, ele busca manter sua posição como presidente do conselho por um período prolongado e defende a inclusão de uma cláusula de proteção contra mudanças de controle.
A Raízen enfrenta pressões decorrentes de juros elevados, safras mais fracas e investimentos que ainda não geraram retorno financeiro. Esse cenário comprometeu o fluxo de caixa e elevou o nível de endividamento, levando os títulos da empresa a patamares considerados críticos pelo mercado.
A deterioração financeira também resultou em rebaixamentos por agências de classificação de risco, que retiraram a companhia do grau de investimento e a colocaram em níveis mais elevados de risco, ampliando as perdas para investidores.


