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Bancos ampliam pressão por reestruturação da Raízen

Plano inclui uso de ativos argentinos e mudanças na gestão

Bancos ampliam pressão por reestruturação da Raízen (Foto: Divulgação)

247 - A Raízen voltou ao centro de negociações com seus credores após receber uma nova proposta de reestruturação financeira, que inclui a destinação de parte da venda de ativos e possíveis mudanças na liderança da companhia. A iniciativa ocorre em meio ao esforço da empresa para equacionar uma dívida bilionária e evitar medidas mais drásticas, como um pedido de recuperação judicial.

Segundo informações divulgadas pelo Valor Econômico, bancos credores apresentaram um plano que prevê o uso de 30% da receita obtida com a venda de ativos na Argentina para amortizar dívidas. A proposta também retoma a exigência de substituição de Rubens Ometto da presidência da companhia, repetindo pleito já defendido por detentores de títulos da empresa.

Pressão por governança e controle

A nova proposta surge em um contexto de intensas negociações entre a empresa de bioenergia e seus credores, após a Raízen ter ingressado, em março, com um pedido de reestruturação extrajudicial. A companhia acumula uma dívida estimada em R$ 65 bilhões.

Além dos bancos, detentores de títulos também apresentaram uma proposta paralela que inclui um aporte de R$ 8 bilhões e maior participação na gestão da empresa. Tanto os bancos quanto os bondholders buscam ampliar sua influência, podendo chegar a até 90% de participação em troca de 45% da dívida.

No início deste mês, a Raízen chegou a apresentar uma alternativa que permitiria aos credores assumir até 70% das ações ordinárias, indicando disposição para concessões relevantes no controle acionário.

Aportes e cenário financeiro

Em meio às negociações, a Shell, sócia da Cosan na joint venture, concordou em aportar R$ 3,5 bilhões como parte do plano de reestruturação. Já Rubens Ometto se comprometeu com um investimento adicional de R$ 500 milhões.

Apesar disso, a empresa enfrenta um cenário desafiador, marcado por juros elevados, investimentos ainda não amortizados e dificuldades operacionais nas áreas de açúcar e etanol. Esses fatores têm pressionado os resultados financeiros, com lucros abaixo das expectativas recentes.

Silêncio nas negociações

Procuradas, a Raízen, a Cosan e Rubens Ometto não comentaram o assunto. Os bancos credores — Banco do Brasil, Bradesco, Itaú Unibanco e Santander Brasil — também evitaram se manifestar. A Shell não respondeu aos pedidos de comentário.

As negociações seguem em andamento, enquanto a empresa busca um acordo que equilibre a redução do endividamento com a preservação de sua estrutura operacional e societária.

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