Vale registra lucro de US$1,9 bilhão no 1º trimestre, impulsionado por metais básicos
Resultado é 36% superior ao do ano passado, com aumento nas vendas e preços realizados de ferro, cobre e níquel
247 - A Vale iniciou 2026 com lucro líquido atribuível de US$1,893 bilhão no primeiro trimestre, refletindo um crescimento de 36% em relação ao mesmo período de 2025. Esse desempenho foi impulsionado por preços mais altos, volumes de vendas elevados e uma recuperação expressiva nos metais básicos, que ajudaram a neutralizar os efeitos da valorização do real brasileiro sobre os custos da companhia. A reportagem é do portal Brazil Stock Guide.
O EBITDA pro forma aumentou 21% em comparação ao ano passado, somando US$3,895 bilhões, enquanto a receita líquida cresceu 14%, alcançando US$9,258 bilhões. Embora o número geral tenha sido sólido, o mais relevante é a mudança na dinâmica do portfólio da mineradora. Embora a Vale ainda seja predominantemente uma empresa de minério de ferro, os resultados do primeiro trimestre evidenciam um portfólio com maior diversificação de fontes de lucro. A empresa observou crescimento nas vendas de todos os seus principais produtos: o volume de minério de ferro subiu 4%, as vendas de cobre aumentaram 11% e as de níquel avançaram 15% em relação ao ano anterior.
O grande destaque foi a performance da divisão de Metais Básicos. O EBITDA dessa área mais que dobrou, alcançando US$1,197 bilhão, um crescimento de 116% comparado ao primeiro trimestre de 2025. O cobre teve um EBITDA de US$949 milhões, com uma alta de 74%, impulsionado pelos preços mais elevados do cobre e do ouro. Já o níquel, tradicionalmente um ponto mais fraco da Vale, registrou EBITDA de US$277 milhões, uma melhoria significativa em relação aos US$41 milhões do ano anterior, beneficiado por custos mais baixos, receitas mais fortes de subprodutos e melhorias operacionais em ativos como Sudbury, Voisey’s Bay e Long Harbour.
Em entrevista sobre o desempenho, Gustavo Pimenta, CEO da Vale, afirmou: "Entregamos um começo sólido para 2026, refletindo nossa execução disciplinada, excelência operacional e o contínuo desenvolvimento de projetos estratégicos em nosso portfólio". Pimenta ressaltou que a empresa bateu recordes de produção em vários ativos e seguiu buscando eficiência de custos, mesmo diante de pressões externas persistentes.
O minério de ferro, no entanto, permanece o principal motor do negócio e a maior fonte de caixa da companhia. A divisão de Soluções em Minério de Ferro gerou EBITDA de US$2,906 bilhões, ligeiramente acima do ano anterior. As vendas de finos de minério de ferro cresceram 4% no comparativo anual, totalizando 68,7 milhões de toneladas, mas os custos mais elevados impactaram parte dos ganhos com preços e volumes. O custo de caixa C1 para o minério de ferro subiu 12%, alcançando US$23,6 por tonelada, devido principalmente à valorização do real e outros efeitos cambiais.
A Vale enfrentou também desafios com a pressão dos custos, uma preocupação apontada no relatório. A mineradora informou que a tendência de custos de 2026 deverá se situar na faixa superior da previsão já divulgada, considerando um câmbio médio de R$5,25 por US$ e o preço do petróleo Brent em US$90 por barril. Para cada variação de R$0,10 no câmbio, o impacto estimado seria de cerca de US$0,25 por tonelada no custo C1 e US$0,40 por tonelada nos custos totais.
O fluxo de caixa livre da companhia foi de US$813 milhões, um aumento de 61% em relação ao primeiro trimestre de 2025. Contudo, o aumento de caixa foi parcialmente compensado por um movimento negativo no capital de giro, impulsionado por pagamentos de participação nos lucros e aumento de estoques e contas a receber.
A Vale também manteve sua agenda de crescimento, com um capex de US$1,1 bilhão no trimestre, alinhado à previsão de US$5,4 bilhões a US$5,7 bilhões para 2026. O projeto Serra Sul +20, com 86% de progresso físico, segue previsto para entrar em operação no segundo semestre de 2026, com capacidade adicional de 20 milhões de toneladas por ano. No setor de metais básicos, a mineradora avançou com sua reestruturação, formando um consórcio para suas operações em Thompson, no Canadá, e garantindo um acordo de compra de níquel.
Além disso, a Vale seguiu avançando em sua agenda ESG (ambiental, social e de governança), removendo os níveis de emergência das barragens Maravilhas II e Laranjeiras Norte, após aprovação da Agência Nacional de Mineração. A empresa também firmou um acordo com a Shandong Shipping Corporation para operar navios movidos a etanol, com início previsto para 2029, uma iniciativa que pode reduzir as emissões de gases de efeito estufa em até 90%.
Esse desempenho reforça a tendência de diversificação do portfólio da Vale. Embora o minério de ferro continue sendo a base, o crescimento no cobre, níquel e seus subprodutos tornou os resultados da companhia mais balanceados. Para os investidores, a questão central será saber se este trimestre representou um bom momento para os metais básicos ou se estamos diante do início de um motor de crescimento mais consistente para uma das principais empresas brasileiras.



