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Alckmin diz que deixará ministério em abril, mas seguirá como vice de Lula

Vice-presidente afirma que pretende deixar o cargo ministerial, enquanto discussões sobre candidatura em São Paulo seguem abertas no governo

03.03.2026 - Vice-Presidente da República e Ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, durante a abertura da 2º Conferência Nacional do Trabalho, no Teatro Celso Furtado. São Paulo - SP.

Foto: Ricardo Stuckert / PR (Foto: Ricardo Stuckert)

247 – O vice-presidente Geraldo Alckmin afirmou que pretende deixar o ministério que ocupa em abril, mas seguirá exercendo o cargo de vice do presidente Lula. A declaração ocorre em meio às discussões políticas sobre seu futuro nas eleições de 2026 e pressões para que dispute cargos em São Paulo.

Segundo reportagem publicada pelo UOL, Lula ainda não definiu o desenho eleitoral para o próximo ciclo político. Nos bastidores do Palácio do Planalto, a avaliação é que o presidente teria assegurado que Alckmin só deixará funções no governo caso deseje, embora haja pressão para que ele dispute a eleição em São Paulo — estado que governou por quatro mandatos.

Pressão por candidatura em São Paulo

Apesar da pressão, o cenário de uma candidatura de Alckmin é tratado como improvável por setores do PT. Ainda assim, petistas não descartam completamente a hipótese de que ele concorra ao Senado.

Em paralelo, conversas entre lideranças políticas indicam que o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, deverá disputar o governo paulista. De acordo com a reportagem, “está praticamente batido o martelo” de que Haddad será candidato — mesmo que essa não seja sua preferência inicial.

Além dele, outras integrantes do governo também aparecem como possíveis candidatas ao Legislativo, como Simone Tebet e Marina Silva.

Estratégia eleitoral e espaço no centro político

Nos bastidores do governo, a possibilidade de lançar Alckmin em São Paulo é vista por alguns articuladores como uma estratégia eleitoral relevante. O vice-presidente ainda teria forte apelo junto ao eleitorado de centro e a setores mais conservadores, tradicionalmente distantes do PT.

Esse fator poderia ampliar as chances de vitória do campo governista no maior colégio eleitoral do país. Além disso, uma eventual candidatura de Alckmin abriria espaço para negociações políticas em torno da vaga de vice-presidente em 2026, permitindo a construção de uma aliança com partidos de centro.

Resistência do vice-presidente

Apesar dessas articulações, Alckmin não demonstra interesse em disputar novos cargos. Segundo o relato do UOL, ele já afirmou em conversas públicas e privadas que pretende seguir como vice ou deixar a vida pública.

Em tom de brincadeira, costuma dizer: "Volto para Pinda [monhangaba, sua cidade natal, em São Paulo]".

Pessoas próximas relatam que Lula mantém o tema em aberto, mas evita pressionar diretamente o vice-presidente a entrar na disputa eleitoral.

Centrão reduz chances de mudança

A possibilidade de uma reorganização na vice-presidência também enfrenta resistência entre partidos do centrão. Nesta semana, o MDB — que possui três ministérios no governo — teria descartado qualquer interesse em assumir a vaga.

Já o PSD, outra legenda com três ministérios, enfrenta um cenário interno diferente: o partido abriga três nomes que se colocam como possíveis candidatos à Presidência da República e que se posicionam na oposição ao governo.

Com isso, a hipótese de uma mudança na vice-presidência perde força dentro da própria base política.

Decisão pode depender da disputa paulista

Mesmo com sinais de que Alckmin deve permanecer no atual arranjo, integrantes do alto escalão do governo afirmam que a decisão final ainda não foi tomada.

A expectativa é que o cenário se esclareça com a definição da chapa governista em São Paulo, etapa considerada fundamental para organizar as estratégias eleitorais do campo governista.

De qualquer forma, a formalização das candidaturas só ocorrerá no segundo semestre, quando os nomes serão registrados na Justiça Eleitoral. Até lá, o futuro político de Alckmin seguirá como um dos temas centrais das articulações para 2026.

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