Dino mantém vice-prefeito de Macapá afastado
Ministro do STF prorrogou afastamento de Mario Rocha e de auxiliares em apuração sobre obras de hospital
247 - O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, prorrogou por prazo indeterminado o afastamento cautelar do vice-prefeito de Macapá, Mario Rocha de Matos Neto, em uma apuração sobre suspeitas de irregularidades ligadas às obras do Hospital Geral Municipal.As informações foram publicadas pela CNN Brasil, em reportagem de Elijonas Maia e Fernanda Fonseca, neste sábado, 2 de maio de 2026. Segundo a CNN, a decisão também manteve afastados Erica Aranha de Sousa Aymoré, secretária municipal de Saúde, e Walmiglisson Ribeiro da Silva, chefe da comissão de licitação da prefeitura.
Mario Rocha estava afastado desde março, quando uma operação da Polícia Federal também atingiu o então prefeito de Macapá, Antônio Furlan, conhecido como Dr. Furlan, do PSD. Na ocasião, o STF informou que a medida havia sido tomada em investigação sobre suspeitas de desvio de recursos de emendas parlamentares federais destinadas à construção do hospital municipal. A decisão inicial de afastamento, determinada em março, havia fixado prazo de 60 dias para o prefeito e o vice-prefeito deixarem os cargos. Segundo o STF, a medida atendeu a pedido da Polícia Federal, com aval da Procuradoria-Geral da República.
Risco à investigação
Na nova decisão, Dino acolheu manifestação da Procuradoria-Geral da República e da Polícia Federal para manter as restrições. O ministro considerou que havia risco de agravamento de interferências na investigação, especialmente após relatos de pagamentos considerados atípicos realizados depois do afastamento inicial.
A apuração também menciona suspeitas de atos de obstrução de justiça. Para o ministro, a continuidade das cautelares seria necessária para evitar prejuízos ao andamento da investigação e preservar documentos, sistemas e informações sob responsabilidade da administração municipal.Pela decisão, Mario Rocha, Erica Aymoré e Walmiglisson Ribeiro seguem impedidos de acessar prédios públicos municipais. O trio também está proibido de entrar em sistemas e bases informatizadas da prefeitura de Macapá.
Dino advertiu que eventual violação das medidas pode ter consequências mais graves. Segundo a decisão, o descumprimento, direto ou indireto, das restrições “poderá implicar regressão cautelar e até mesmo o decreto de prisão preventiva”.Suspeitas em obras de hospitalA investigação conduzida pela Polícia Federal apura indícios de um suposto esquema criminoso envolvendo agentes públicos e empresários. As suspeitas incluem direcionamento de licitação, desvio de recursos públicos e lavagem de dinheiro no projeto de engenharia e na execução das obras do Hospital Geral Municipal de Macapá.
A reportagem também informou que a Polícia Federal apurava saques realizados em agências bancárias pelo motorista de Dr. Furlan. Em outro desdobramento, a PF monitorou um veículo da prefeitura de Macapá que teria transportado R$ 400 mil.O caso ganhou novo contorno após o afastamento dos gestores municipais e de integrantes da administração. Para a investigação, a permanência de autoridades e servidores nos cargos poderia representar risco de acesso indevido a informações e de interferência na coleta de provas.Dr. Furlan renunciou após afastamentoApós ser afastado do cargo, Dr. Furlan renunciou à prefeitura de Macapá.
A renúncia não encerrou os efeitos da investigação sobre outros integrantes da gestão municipal. A decisão de Dino manteve as medidas contra o vice-prefeito afastado e contra auxiliares ligados à área da Saúde e ao setor de licitação.O afastamento por prazo indeterminado amplia o período em que Mario Rocha de Matos Neto permanece fora das funções de vice-prefeito. A medida cautelar continuará em vigor enquanto o STF considerar necessária a preservação da investigação.


