Esquerda abandona Alexandre de Moraes nas redes após ministro se unir a Alcolumbre contra Jorge Messias
Perfis influentes criticam atuação do magistrado e apontam articulações políticas envolvendo STF, Senado e crise do Banco Master
247 – A rejeição do nome de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF) provocou uma forte repercussão política que agora transborda para as redes sociais, onde setores da esquerda passaram a criticar abertamente o ministro Alexandre de Moraes. O episódio marca uma inflexão relevante no ambiente digital, indicando desgaste na base de apoio que historicamente sustentava o magistrado.
Nos últimos dias, perfis influentes no X (antigo Twitter) passaram a reproduzir análises e bastidores que sugerem uma articulação política envolvendo Moraes, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, e outros atores de peso em Brasília. As interpretações apontam para um movimento mais amplo que teria como pano de fundo disputas institucionais e interesses ligados ao inquérito do Banco Master – o escritório da esposa de Moraes fechou um contrato de R$ 129 milhões com o banco.
Um dos posicionamentos de maior repercussão foi feito pelo perfil de Beta Bastos, que afirmou ter revisto sua avaliação após ouvir diversas fontes na capital federal. “Eu fui contra a Malu Gaspar muitas vezes. Acho, sim, que ela exagera em várias análises. Mas, dessa vez, preciso reconhecer, ela tem razão”, escreveu.
Ele relatou ainda ter buscado cautela antes de se manifestar publicamente. “Passei o dia em silêncio, conversando, ouvindo, tentando entender o que estava acontecendo antes de me posicionar. Pensei muito em como falar sobre isso com responsabilidade. E tudo começa a fazer sentido”, afirmou.
Na sequência, o perfil apresentou sua interpretação sobre os bastidores do episódio. “O que está por trás não é simples, Moraes teria se alinhado a Flávio Bolsonaro e Davi Alcolumbre em um movimento para enfraquecer Lula”, escreveu. Segundo ele, haveria também tensões internas no STF: “Enquanto isso, Flávio Dino não estaria nada satisfeito com esse cenário. Já Cristiano Zanin tenta se manter distante dessa confusão”.
A publicação também levantou hipóteses sobre motivações mais amplas. “E há mais, tudo indica que Moraes — e possivelmente Toffoli — também estariam juntos nesse movimento, numa tentativa de se blindar diante da crise envolvendo o Banco Master. O que parecia improvável começa a se encaixar. E o jogo, claramente, é muito maior do que estão mostrando”, acrescentou.
Outro perfil de grande alcance, Victor Garcia, reforçou a mesma linha de análise. “Eu já bati muito na dona Gaspar, mas ela não está mentindo nessa aqui. Tem muita gente em Brasília contando a mesma história”, publicou, indicando convergência de relatos entre diferentes fontes políticas.
Já o perfil Rodrigo Veloso apontou diretamente para o inquérito do Banco Master como elemento central na rejeição de Messias. “Todos os jornalistas, de todos os veículos, que estão apurando o que aconteceu, já descobriram o grande motivo da rejeição de Messias: Inquérito do Master”, escreveu.
"Segundo as postagens que circulam nas redes, reportagens de jornalistas como Daniela Lima, Julia Dualib e Josias de Souza também teriam identificado elementos políticos relevantes no processo. Entre eles, a informação de que Alcolumbre teria encaminhado a senadores um vídeo de Messias em que ele menciona proximidade com o ministro André Mendonça, relator do inquérito", prosseguiu.
"Outro ponto citado é a ligação entre o Fundo de Servidores do Amapá — que teria investido cerca de R$ 300 milhões em títulos ligados ao Banco Master — e figuras próximas ao presidente do Senado, o que teria ampliado o grau de sensibilidade política do caso. De acordo com relatos atribuídos à apuração jornalística, ministros do STF teriam sinalizado a parlamentares que a posição de Messias em relação ao inquérito poderia se alinhar à de André Mendonça, sendo considerada “difícil de segurar politicamente”, escreveu ainda Rodrigo Veloso.
"Nos bastidores do governo, também são mencionadas avaliações políticas sobre os impactos da indicação. A mobilização considerada discreta do senador Jaques Wagner teria sido influenciada pela leitura de que a nomeação de um ministro alinhado a investigações envolvendo políticos poderia comprometer alianças e a governabilidade, além de interesses indiretos relacionados ao caso", finalizou.
Escalada política e fissuras na base
O conjunto dessas manifestações revela uma mudança de humor entre setores da esquerda nas redes, que passam a questionar a atuação de Alexandre de Moraes em um momento de forte tensão institucional. O episódio amplia o debate sobre o papel do STF, as relações entre os Poderes e os limites da atuação política de seus integrantes.
Mais do que um episódio isolado, a crise envolvendo Jorge Messias passa a ser interpretada como parte de um rearranjo mais amplo de forças em Brasília, com reflexos diretos no ambiente político e digital. Alexandre de Moraes, responsável pelo inquérito do 8 de janeiro, deixou de ser intocável na esquerda.


