Moraes se uniu a Alcolumbre para impedir a chegada de Messias ao STF
Ministro do Supremo atuou nos bastidores para reforçar campanha contra indicado de Lula, em articulação que também favoreceu a ofensiva bolsonarista
247 – O ministro Alexandre de Moraes atuou nos bastidores para impedir a aprovação de Jorge Messias, ministro da Advocacia-Geral da União, à vaga no Supremo Tribunal Federal, segundo informou o jornal O Globo.
De acordo com a reportagem, Moraes se somou à ofensiva conduzida pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), e por Flávio Bolsonaro, pré-candidato do PL à Presidência, em uma articulação que resultou em forte revés para o presidente Lula no Congresso.
Messias obteve apenas 34 votos favoráveis, número insuficiente para sua aprovação ao STF. A derrota expôs uma aliança incomum entre Moraes, relator de investigações contra a extrema direita, e setores bolsonaristas que defendem sua cassação.
Segundo relatos ouvidos por O Globo, Moraes teria acionado emissários para transmitir recados a senadores, especialmente parlamentares com processos no Supremo ou vínculos com aliados do ministro no Congresso.
Aliança contra Messias
A movimentação teria reforçado os pedidos de Alcolumbre por votos contrários à indicação de Messias. O presidente do Senado já vinha atuando contra o nome escolhido por Lula, após defender a indicação do senador Rodrigo Pacheco (PSB-MG) para a vaga.
Moraes também teria preferido Pacheco e não aceitado a decisão do presidente Lula de optar pelo chefe da AGU.
A articulação uniu interesses distintos. Para Alcolumbre, a derrota de Messias representou uma demonstração de força no Senado. Para Moraes, segundo a reportagem, a chegada do indicado de Lula poderia alterar a correlação interna de forças no Supremo.
Disputa dentro do STF
Um dos pontos centrais da disputa envolve o ministro André Mendonça, que atuou como principal apoiador de Messias no Senado. Mendonça buscou votos entre parlamentares conservadores para reduzir a resistência ao chefe da AGU, visto por setores da oposição como um quadro ideológico ligado ao PT.
Messias e Mendonça também compartilham uma identificação religiosa: ambos são evangélicos. Messias é da Igreja Batista, enquanto Mendonça é pastor da Igreja Presbiteriana.
A eventual chegada de Messias ao Supremo poderia fortalecer Mendonça no plenário. Isso teria impacto direto sobre a correlação de forças da Corte, especialmente em temas sensíveis.
Caso Master elevou tensão
Outro elemento relevante é o caso Master. Mendonça é relator do processo no Supremo e caberá a ele homologar a delação premiada de Daniel Vorcaro.
Segundo O Globo, essa delação pode ter implicações para Moraes e para sua mulher, a advogada Viviane Barci de Moraes, que firmou contrato com o Banco Master prevendo pagamento de R$ 3,6 milhões mensais ao longo de três anos.
Antes da campanha por Messias, Mendonça já havia contrariado Moraes ao votar pelo afastamento do ministro das investigações sobre a trama golpista, acolhendo argumentos apresentados pela defesa de Jair Bolsonaro.
Após a derrota, André Mendonça prestou solidariedade a Messias em sua conta no X: "Respeito a decisão do Senado, mas não posso deixar de externar minha opinião. O Brasil perde a oportunidade de ter um grande ministro do Supremo. Messias, saia dessa batalha de cabeça erguida. Você combateu o bom combate!"


