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Haddad detona Claudio Castro e diz que ele “não tem feito nada” contra o crime

Ministro da Fazenda critica falta de ação do governador do Rio e cobra colaboração no combate ao contrabando de combustíveis após chacina

Fernando Haddad (Foto: Washington Costa/MF)

247 – O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, criticou duramente o governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, ao afirmar que o gestor “tem feito praticamente nada” para enfrentar o contrabando e as fraudes envolvendo combustíveis no estado. As declarações, dadas nesta quarta-feira (29), ocorrem em meio à crise provocada pela operação policial mais letal da história do Rio, que deixou 136 mortos, segundo a Comissão de Direitos Humanos da OAB-RJ.

“Nós, pessoalmente aqui da Fazenda, estamos atuando forte no Rio de Janeiro contra o crime organizado. Na minha opinião, da maneira mais eficaz, que é a questão dos combustíveis que vocês estão acompanhando”, afirmou Haddad. “Eu penso que o governador deveria nos ajudar em relação a isso. Hoje o Estado do Rio não tem feito praticamente nada em relação ao contrabando de combustível”, completou o ministro.

Haddad cobra ação efetiva do governo do Rio

O titular da Fazenda destacou que o governo federal tem atuado de forma incisiva para enfraquecer financeiramente o crime organizado, especialmente por meio do combate às fraudes tributárias e ao contrabando de combustíveis, apontados como fontes de financiamento das facções criminosas. Segundo Haddad, é essencial que o estado coopere com a Receita Federal e com os órgãos de inteligência para atacar o problema na sua origem.

“O dinheiro que sustenta o crime organizado no Rio vem das fraudes e da venda de combustíveis adulterados. O Estado precisa acordar para essa realidade e agir”, afirmou.

Haddad também defendeu a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública, apresentada pelo governo federal, que busca integrar União, estados e municípios na formulação de políticas de segurança. Para o ministro, o colapso da segurança no Rio mostra a necessidade de coordenação nacional e planejamento conjunto.

Chacina expõe crise na segurança do Rio

A declaração de Haddad ocorre no dia seguinte à megaoperação policial nos complexos do Alemão e da Penha, na zona norte do Rio, que resultou em 136 mortos, incluindo quatro policiais e dezenas de moradores, além de 81 presos e 93 fuzis apreendidos. A ação, batizada de Operação Contenção, tinha como alvo a expansão do Comando Vermelho e a captura de líderes da facção.

O episódio gerou repercussão internacional após o Alto Comissariado da ONU para Direitos Humanos se dizer “horrorizado” com a letalidade da operação, cobrando investigação imediata e independente. No Brasil, o massacre reacendeu o debate sobre o modelo de segurança pública adotado pelo governo de Cláudio Castro, criticado por priorizar confrontos armados e ações de alto impacto, em detrimento de políticas preventivas e de inteligência.

Tensão entre o governo federal e o Rio

As críticas de Haddad ampliam a tensão entre o governo federal e o governo do Rio de Janeiro, que já vinham em rota de colisão desde que Castro atribuiu à União omissão na segurança pública. O Palácio do Planalto, no entanto, informou que não foi comunicado previamente sobre a operação e reafirmou que tem prestado apoio constante ao estado, inclusive por meio da Força Nacional de Segurança Pública, presente no território fluminense desde 2023.

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