‘A verdadeira ameaça às mulheres é o PL Mulher, partido de Michelle Bolsonaro’, diz Erika Hilton (vídeo)
Deputada rebate a ex-primeira-dama após vídeo sobre Flávio Bolsonaro
247 - A deputada federal Erika Hilton (Psol-SP) afirmou nesta quarta-feira (24) que o PL Mulher, partido de Michelle Bolsonaro, representa uma ameaça aos direitos das mulheres. A parlamentar reagiu ao vídeo em que a ex-primeira-dama relata ataques, humilhações e exclusão por parte do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato a presidente da República.
“Michelle Bolsonaro acaba de expor, num vídeo de 27 minutos, que Flávio Bolsonaro a atacou, maltratou, humilhou e excluiu como presidenta do PL Mulher. Mas vale lembrar: o PL Mulher é uma das principais organizações que luta CONTRA os direitos das mulheres e meninas e para EXCLUIR mulheres trans, dizendo que somos uma ameaça às mulheres cis”, afirmou.
“Pelo jeito, Michelle Bolsonaro está vendo que a verdadeira ameaça às mulheres segue sendo quem vota contra os direitos e a vida das mulheres e meninas. Segue sendo seu próprio partido”, acrescentou.
A manifestação ocorre em meio ao desgaste público provocado pelo vídeo de Michelle Bolsonaro, que ampliou a exposição de tensões internas no PL. Erika Hilton, uma das principais vozes do Congresso na defesa dos direitos LGBTQIA+ e das mulheres trans, usou o episódio para reforçar críticas à atuação do PL Mulher e ao discurso político adotado pela legenda em pautas de gênero.
A declaração também reacende o debate sobre o papel de mulheres em partidos que defendem agendas conservadoras. Ao citar Michelle Bolsonaro, Erika Hilton argumenta que a disputa interna relatada pela ex-primeira-dama revela limites da própria estrutura partidária que ela preside.
Declarações de Michelle
Confira abaixo o trecho da fala de Michelle Bolsonaro sobre Flávio Bolsonaro publicada na rede social X:
Telefonei para ele, tentei algumas vezes, mas ele não atendeu. Algumas horas depois da postagem, ele retornou a ligação. Mas sinceramente, para falar o que ele me falou, seria melhor se ele não tivesse ligado. Ele foi muito ríspido, me desrespeitou e me maltratou ao telefone. E eu não tinha feito nada contra ele. Ele disse que seria melhor eu ficar fora das decisões do partido. Disse que eu havia chegado ontem e não entendia nada de política.
Diante dessa humilhação, eu disse a ele que estava tudo bem. Entendi que ele não queria o meu apoio ou que este era insignificante. E então eu me recolhi. Fiquei na minha e assim permaneço. Eu sou presidente nacional do PL Mulher. Fui convidada pelo meu marido e pelo presidente Valdemar. Eu percorri o Brasil inteiro, instalei diretórios em todas as 27 unidades da federação, ajudei a eleger 1.005 mulheres em 2024, um aumento de 45,8% em relação a 2020.
Mas para ele e alguns que o cercam, eu não entendo de política.


