Bolsonaro avisa que MEC não irá para o Centrão

Com a saída do novo ministro, Carlos Alberto Decotelli, os nomes de Ilona Becskeházy e Sérgio Sant'ana, ligados aos olavistas, e de Gilberto Gonçalves Garcia, ligado a empresários da Educação, circulam como cotados para o cargo

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MEC (Foto: Agência Brasil)
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247 - O sucessor de Carlos Alberto Decotelli no comando do Ministério da Educação (MEC) não deve ir para o Centrão. Decotelli renunciou nesta terça-feira, 30, antes de ter tomado posse. “Indicações políticas para a sucessão de Carlos Decotelli no MEC estão fora de questão, de acordo com o que Jair Bolsonaro tem dito desde ontem a auxiliares diretos”, de acordo com coluna de Lauro Jardim no jornal O Globo.

Com a saída do novo ministro, olavistas pressionam no sentido de retomar conta do Ministério da Educação (MEC), com o nome de Ilona Becskeházy.  Ela é a atual secretária de Educação Básica do MEC. É Mestre pela Puc do Rio e doutora na FEUSP em política educacional, e fez parte da gestão do ex-ministro Abraham Weintraub. Outro nome possível para a pasta é Sérgio Sant’ana, ex-assessor de Weintraub.

Além dos dois, o nome de Gilberto Gonçalves Garcia está circulando como cotado para ocupar o cargo. Segundo o jornal O Globo, Gilberto Garcia teria o apoio de Antônio Veronezi, empresário da educação privada próximo do ministro da Cidadania, Onyx Lorenzoni, e do ex-ministro Abraham Weintraub.

Garcia é estudioso da área de religião, tem formação em filosofia pela UFRJ e foi reitor da Universidade Católica de Brasília até 2018. Também presidiu o Conselho Nacional de Educação (CNE) entre 2014 e 2016, durante o governo Dilma.

Decotelli renuncia após de denúncias de fraude no currículo

Na segunda-feira, Decotelli modificou novamente seu currículo Lattes, após a Universidade de Wuppertal, na Alemanha, não reconhecer seu pós-doutorado. Ele já havia modificado após o reitor da Universidade Nacional de Rosário, na Argentina, desmenti-lo confirmando que não o novo ministro não tem doutorado pela instituição.

Decotelli retirou de seu currículo a titulação de pós-doutorado, deixando apenas: "Tendo trabalhado como professor de gestão de riscos em derivativos no agronegócio em vários cursos no Brasil, construiu um projeto de pesquisa intitulado 'Sustentabilidade e Produtividade na automação de máquinas agrícolas', que foi submetido à Bergische Universitat Wuppertal, na Alemanha, tendo por base pesquisa específica que teve o apoio da empresa Krone".

A instituição alemã esclareceu ao Globo que o ministro conduziu pesquisas na universidade por um período de três meses em 2016, mas sem concluir qualquer programa de pós-doutoramento.

"Carlos Decotelli não obteve nenhum título na nossa universidade", afirmou a responsável pela comunicação da Bergische Universität Wüppertal (BUW), Jasmine Ait-Djoudi.

Decotelli descreve em seu currículo, disponível na plataforma Lattes do CNPq, que frequentou a universidade alemã entre 2015 e 2017.

No domingo, 28, o novo ministro, pressionado pela declaração do reitor da UNR que afirmou que ele não tem doutorado, confirmou o fato por meio de nota. Ele, entretanto, negou ter plagiado trechos em sua dissertação de mestrado.

Marcada para terça-feira, 30, a posse do novo ministro da Educação ainda foi adiada. Não há ainda nova data. 

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