Detonada, academia inicia processo para excluir Pedro Turra do quadro de sócios
A rede também ressaltou que não aceita qualquer associação da marca ao caso
247 - A rede Skyfit Academias anunciou que iniciou o processo para retirar Pedro Arthur Turra Basso, de 19 anos, do seu sistema de franquias após a morte do adolescente Rodrigo Helbingen Fleury Castanheira, de 16, ocorrida no último sábado (7), no Distrito Federal. Turra é investigado por agressões que levaram ao óbito do jovem e figura como sócio-administrador de uma unidade da empresa ao lado da namorada.
A informação é do portal Metrópoles, em reportagem assinada pela jornalista Fernanda Cavalcante. Desde a confirmação da morte do adolescente, perfis da Skyfit foram inundados por críticas e pedidos de boicote. Internautas cobraram providências da empresa e passaram a questionar a permanência de Pedro Turra no quadro societário da academia. Entre os comentários publicados estavam mensagens como: “Quem tiver o mínimo de sentimento não pisa nessa academia”; “Tem que boicotar”; e “Vamos fechar essa academia”. Alguns usuários também levantaram suspeitas de que a empresa poderia, de alguma forma, beneficiar financeiramente o investigado.
Diante da pressão pública, a Skyfit divulgou uma nota oficial informando que já deu início ao processo de exclusão do sócio. No comunicado, a empresa afirmou: “Repudiamos de forma veemente e absoluta o ato de violência que resultou nesse desfecho tão doloroso e informamos que o processo de exclusão de Pedro Turra do sistema de franquias Skyfit já foi iniciado.”
A rede também ressaltou que não aceita qualquer associação da marca ao caso. “Atitudes dessa natureza não têm e jamais terão espaço em nossa comunidade. Não toleraremos, sob nenhuma circunstância, qualquer associação da nossa marca a atos de violência.” Por fim, a Skyfit declarou solidariedade à família e aos amigos da vítima e afirmou: “Reiteramos nosso compromisso inabalável com a ética, a paz e o respeito ao próximo, bem como nossa esperança de que a justiça seja plenamente realizada, para que a família de Rodrigo possa, com o tempo, encontrar conforto e paz.”
O caso que resultou na morte de Rodrigo teve início na noite de 22 de janeiro, em Vicente Pires (DF), quando ele e Pedro Turra se envolveram em uma briga registrada por testemunhas. A versão inicial apontava que a confusão teria começado após Turra jogar um chiclete mascado em um amigo da vítima, levando Rodrigo a reagir em defesa do colega. No entanto, a Polícia Civil do Distrito Federal passou a apurar se essa narrativa foi usada para encobrir a real motivação da agressão.
De acordo com novas informações colhidas pela investigação, há a hipótese de que o adolescente tenha sido vítima de uma emboscada motivada por ciúmes. A apuração indica que Pedro Turra teria sido chamado para agredir Rodrigo a pedido de outro piloto, menor de idade, que teria se incomodado ao saber que o jovem conversava com sua ex-namorada.
Durante o confronto, Pedro Turra desfere um soco que faz com que Rodrigo bata a cabeça contra a porta de um carro. O adolescente aparenta perder as forças e cai, e a briga é interrompida por pessoas que estavam no local. Rodrigo foi socorrido e permaneceu 16 dias internado em estado gravíssimo na UTI de um hospital em Águas Claras. A morte cerebral foi confirmada no sábado (7).
Pedro Turra segue preso em uma cela individual no Complexo Penitenciário da Papuda, por decisão da direção do presídio, oficializada pelo diretor-geral do Centro de Detenção Provisória. Com a repercussão do caso, vieram à tona ao menos três ocorrências policiais anteriores envolvendo o investigado no Distrito Federal, incluindo uma agressão com golpe conhecido como “mata-leão”, uma briga de trânsito que teria terminado com agressões a um homem de 49 anos e uma denúncia de coação contra uma adolescente para ingestão de bebida alcoólica.
Rodrigo era morador do Distrito Federal e estudava no Colégio Vitória Régia. Amigos, familiares e moradores da capital realizaram vigílias em frente ao Hospital Brasília em oração pelo jovem, enquanto ele ainda estava internado. A morte do adolescente intensificou a comoção pública e ampliou a pressão por responsabilização dos envolvidos no caso.

