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“É um dia histórico para a classe trabalhadora”, diz líder do PT após aprovação do fim da escala 6x1

Pedro Uczai celebra PEC da jornada de 40 horas, destaca articulação de Lula e afirma que medida garante mais tempo para família e qualidade de vida

Pedro Uczai, uma espécie de cartaz postado pelo deputado nas redes sociais e um protesto pelo fim da escala 6x1 no Brasil (Foto: Thiago Cristino/Câmara dos Deputados I Letycia Bond/Agência Brasil I Reprodução (X/PedroUczai))
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247 – O líder do PT na Câmara dos Deputados, Pedro Uczai (SC), comemorou nesta quarta-feira (27) a aprovação da PEC 221/19, que reduz a jornada semanal de trabalho de 44 para 40 horas e extingue a escala 6x1, instituindo o modelo 5x2 sem redução salarial. Em discurso no plenário, o parlamentar classificou a votação como uma vitória histórica da classe trabalhadora brasileira.

“É um dia histórico para a classe trabalhadora do nosso país”, afirmou Uczai, ao celebrar a aprovação da proposta, que agora seguirá para análise do Senado Federal.

A PEC aprovada pela Câmara estabelece dois dias de descanso remunerado por semana e prevê uma transição gradual até a implementação definitiva da jornada de 40 horas semanais. O texto aprovado é resultado de negociações conduzidas entre parlamentares da base governista, partidos do Centrão e lideranças sindicais.

Uczai destaca articulação política de Lula

Durante o pronunciamento, Pedro Uczai atribuiu a aprovação da PEC à articulação política do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e ao diálogo construído entre diferentes forças do Congresso Nacional.

“Foi uma construção política do Presidente Lula, esse grande sindicalista e estadista, junto com o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), com Alencar Santana (PT-SP) e Léo Prates (Republicanos-BA), nosso relator, junto com este Parlamento. É um grande acordo da democracia para favorecer trabalhadores e trabalhadoras deste país”, declarou.

Segundo o líder petista, a proposta representa um avanço civilizatório nas relações de trabalho e responde a uma demanda crescente da sociedade brasileira por mais equilíbrio entre vida profissional e qualidade de vida.

“Dois dias para viver”, afirma deputado

Em um dos trechos mais enfáticos do discurso, Uczai ressaltou os impactos sociais da mudança constitucional e afirmou que a aprovação da PEC permitirá aos trabalhadores recuperar tempo para a vida pessoal, familiar e educacional.

O parlamentar afirmou que a nova regra garantirá “dois dias para a família, dois dias para a juventude trabalhar e estudar, dois dias para as mulheres descansarem, ficarem com os filhos, dois dias para viver”.

A proposta aprovada estabelece que, dois meses após a promulgação da futura emenda constitucional, os trabalhadores passarão automaticamente a ter direito a dois dias de descanso semanal remunerado. Nesse mesmo prazo, a jornada semanal será reduzida de 44 para 42 horas. A implementação das 40 horas ocorrerá 14 meses após a promulgação da PEC.

Mobilização popular foi decisiva, diz Uczai

Pedro Uczai também atribuiu a vitória à pressão popular nas ruas e nas redes sociais. Segundo ele, a mobilização social foi determinante para consolidar maioria em torno da proposta.

“Graças à mobilização social, graças à mobilização das ruas, graças à mobilização nas redes sociais, alcançamos esta conquista histórica. A luta faz a lei, a mobilização faz a lei mudar”, afirmou.

Nos últimos anos, o debate sobre o fim da escala 6x1 ganhou força em sindicatos, movimentos sociais e entre especialistas em saúde do trabalho, que apontam impactos negativos das jornadas extensas sobre saúde mental, produtividade e convivência familiar.

Líder do PT critica oposição bolsonarista

Durante o discurso, o líder do PT fez duras críticas à extrema-direita e acusou parlamentares da oposição de tentarem obstruir a votação da PEC.

Segundo Uczai, deputados ligados ao bolsonarismo apresentaram propostas que ampliavam o prazo de transição para até dez anos e chegaram a defender jornadas semanais de até 52 horas.

“Perdeu as condições morais para apresentar destaques”, disse o deputado, ao mencionar a posição da bancada do PL, que, segundo ele, reuniu 62 parlamentares contrários ao texto principal na semana anterior à votação.

O petista também criticou propostas defendidas pela oposição, como a implementação imediata da escala 4x3, classificando a iniciativa como “demagogia”.

“Muita mentira, muito proselitismo político”, declarou.

Em outro momento do discurso, Uczai citou divisões internas da extrema-direita e mencionou nominalmente o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

“A produtividade aumenta com trabalhadores satisfeitos”

O líder do PT defendeu o equilíbrio do acordo aprovado pela Câmara e afirmou que a transição gradual preserva tanto os interesses dos trabalhadores quanto do setor produtivo.

“Nós vamos cumprir o acordo, porque temos responsabilidade com o setor empresarial e com o setor produtivo, junto com os trabalhadores. O setor produtivo ganha em produtividade, ganha com trabalhadores mais satisfeitos, e ganham as famílias brasileiras”, afirmou.

A PEC também prevê regras específicas para setores essenciais, como saúde, segurança, transporte e limpeza urbana, além de mecanismos de adaptação para microempreendedores individuais (MEIs), pequenas empresas e contratos terceirizados da administração pública.

Referência bíblica marca encerramento do discurso

Ao final da fala no plenário, Pedro Uczai utilizou uma metáfora religiosa para dimensionar o significado histórico da aprovação da proposta.

“Eu, que fiz quatro anos de teologia, lembro que Deus criou o mundo em seis dias — esse é o primeiro texto da Bíblia — e, no sétimo, descansou, porque o povo escravizado não descansava nem um dia e lutou para conquistar um dia de libertação. Milhares de anos depois, hoje nós conquistamos o 5x2”, declarou.

A proposta agora seguirá para o Senado Federal, onde precisará ser aprovada em dois turnos por três quintos dos senadores para ser promulgada.

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