Frente aponta racismo na manutenção da escala 6x1
Frente Parlamentar Antirracista afirma que população negra sofre mais com jornadas exaustivas
247 - A Frente Parlamentar Antirracista da Câmara dos Deputados afirmou nesta quarta-feira (27) que a manutenção da escala 6x1 aprofunda desigualdades raciais no mercado de trabalho e atinge com maior intensidade a população negra, submetida a jornadas exaustivas, baixos salários e vínculos precarizados. O colegiado defende a redução da jornada de 44 para 40 horas semanais, a adoção da escala 5x2 e a manutenção integral dos salários.
De acordo com a Frente Parlamentar Antirracista, a deputada federal Dandara Tonantzin (PT-MG), coordenadora do colegiado, liderou um ato no Salão Verde da Câmara dos Deputados para reforçar a mobilização pelo fim da escala 6x1. A atividade reuniu parlamentares, movimentos sociais e representantes de instituições em torno da defesa de uma mudança na organização do trabalho no Brasil.
Durante o ato, Dandara afirmou que a pauta tem relação direta com a luta antirracista e com o enfrentamento da precarização laboral. “O fim da escala 6×1 é o fim da escravidão no século 21. É um passo estratégico na promoção da igualdade racial e no combate ao racismo, porque são os pretos e pretas deste país que ainda estão no subemprego, no trabalho marginalizado e precarizado”, disse.
A Frente Parlamentar Antirracista sustenta que o modelo 6x1 reproduz desigualdades históricas, já que os postos mais duros, mal remunerados e com menor proteção social concentram grande presença de trabalhadores negros. Para o colegiado, a redução da jornada representa uma agenda de justiça social e racial.
O ato contou com a participação das deputadas Juliana Cardoso (PT-SP), Jack Rocha (PT-ES), Benedita da Silva (PT-RJ), Daiana Santos (PCdoB-RS) e Enfermeira Rejane (PCdoB-RJ), além dos deputados Reginaldo Lopes (PT-MG) e Airton Faleiro (PT-PA). Representantes de movimentos sociais, instituições e partidos também participaram, entre eles Douglas Belchior, da Coalizão Negra por Direitos, Brena Villanova, do Movimento Negro Unificado, e Tiago Soares.
A mobilização reforçou o apoio à PEC 221/19, de autoria de Reginaldo Lopes. A proposta altera o artigo 7º, inciso XII, da Constituição Federal para reduzir a carga horária semanal de 44 para 40 horas, extinguir a escala 6x1 e instituir o modelo 5x2, sem redução salarial.
Para os parlamentares e movimentos presentes, a mudança garante mais tempo de descanso, convivência familiar e participação social aos trabalhadores. A Frente defende que a jornada atual impõe custos mais altos à população negra, especialmente às mulheres negras, que enfrentam dupla ou tripla jornada.
Dandara relacionou a pauta a conquistas históricas e afirmou que a mobilização no mês de maio tem peso simbólico para a luta racial no Brasil. “E agora, mais uma vez, no mês de maio, nós resistimos, ocupamos e vamos aprovar”, afirmou.
As parlamentares também destacaram a importância do envolvimento do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para fortalecer a articulação política em torno da proposta. O apoio do governo aparece como elemento considerado central para ampliar a pressão pela votação da redução da jornada.
A deputada Benedita da Silva criticou a atuação de setores da extrema direita contra o avanço da pauta. Para ela, defender a permanência da escala 6x1 significa sustentar uma estrutura de exploração que atinge de maneira desigual trabalhadores negros e, em especial, mulheres negras.
“Quem vota a favor da escala 6×1 está defendendo uma lógica racista de exploração do trabalho. Porque é a pele negra que mais sofre, é a pele negra que mais marcha, é a pele negra que entrega as maiores jornadas. E, se for mulher negra, trabalha ainda mais”.



