Líder do PT, Uczai cita Dark Horse e repudia ‘enredo criminoso pago por todos os brasileiros’
Deputado cobrou investigação da relação entre o filme Dark Horse, sobre Jair Bolsonaro, e a ONG de Karina Gama, que também é produtora do longa
247 - O líder do PT na Câmara dos Deputados, Paulo Uczai, afirmou que a suspeita de desvio envolvendo uma ONG ligada à produção do filme Dark Horse reforça a necessidade de investigação sobre o financiamento do filme biográfico de Jair Bolsonaro (PL). A Polícia Civil deflagrou nesta segunda-feira (1) uma operação para apurar contratos suspeitos que começaram em R$ 108 milhões por ano, chegaram a R$ 157,1 milhões com aditivos e podem envolver ao menos R$ 26 milhões sem a devida prestação de serviços à cidade de São Paulo.
O parlamentar criticou a relação entre a produção do longa e o Instituto Conhecer Brasil (ICB), ONG de propriedade de Karina Gama, também produtora do filme sobre Bolsonaro. O parlamentar relacionou a operação policial às suspeitas sobre recursos usados na obra e apontou uma possível conexão política e financeira.
"A suspeita é de que a população de São Paulo também pode ter sido saqueada para financiar esse filme tosco. Quanto mais se investiga, mais escandaloso fica o roteiro desse filme, o enredo criminoso pago por todos os brasileiros, e o povo está descobrindo a verdade", afirmou Uczai.
O deputado também alertou para o que chamou de "relação promíscua" da família Bolsonaro com o dinheiro investido em Dark Horse. A fala ocorre em meio ao avanço das apurações sobre o ICB, entidade contratada pela Prefeitura de São Paulo para a instalação de wi-fi na capital paulista.
Investigação mira contrato com a Prefeitura de São Paulo
A Polícia Civil investiga o contrato entre o Instituto Conhecer Brasil e a Prefeitura de São Paulo, firmado inicialmente no valor de R$ 108 milhões por ano. A apuração indica que o montante subiu para R$ 157,1 milhões após aditivos assinados pela gestão do prefeito Ricardo Nunes (MDB) e repassados à ONG para a instalação de pontos de internet na capital paulista.
A investigação parte da 2ª Delegacia de Crimes Contra a Administração Pública, Combate à Corrupção e Lavagem de Dinheiro (DICCA), vinculada ao Departamento de Polícia de Proteção à Cidadania (DPPC). Os investigadores apuram se a ONG utilizou ao menos R$ 26 milhões sem entregar o serviço previsto à cidade de São Paulo, o que pode configurar desvio de recursos públicos.
O caso ganhou peso político adicional porque Karina Gama, dona do ICB, também atuou na produção de Dark Horse. O filme retrata a trajetória de Jair Bolsonaro (PL) e entrou no centro de questionamentos após revelações sobre negociações financeiras envolvendo aliados do ex-mandatário.
Financiamento de R$ 134 milhões amplia pressão sobre o caso
Além da operação contra a ONG, o site The Intercept Brasil divulgou, em 13 de maio, uma reportagem segundo a qual o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) negociou com Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, um financiamento de R$ 134 milhões para o filme Dark Horse.
Do valor total pedido pelo parlamentar, R$ 61 milhões chegaram a ser repassados. A revelação ampliou a pressão sobre os envolvidos na produção do longa e abriu nova frente de cobrança por explicações sobre a origem e o destino dos recursos.
Daniel Vorcaro está detido e tenta avançar em um processo de colaboração premiada. A PF (Polícia Federal) investiga o empresário por suspeita de participação em um esquema de fraudes financeiras que, segundo a corporação, movimentou ao menos R$ 12 bilhões.
A proposta inicial de delação apresentada pela equipe do ex-banqueiro foi rejeitada pela PF. A corporação apontou seletividade nos fatos apresentados sobre as irregularidades, o que manteve o empresário sob investigação em uma das frentes que cercam o financiamento do filme.



