Ricardo Nunes critica operação sobre Dark Horse e fala em perseguição política
Prefeito de São Paulo questiona ação da Polícia Civil sobre contrato de Wi-Fi e relaciona investigação à produtora do filme sobre Jair Bolsonaro
247 - O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), criticou nesta segunda-feira (1º) a operação da Polícia Civil que teve como alvo repartições da administração municipal e a sede da produtora responsável pelo filme "Dark Horse", obra sobre o atentado a faca sofrido por Jair Bolsonaro (PL). Segundo informações publicadas pela Folha de S.Paulo, a investigação apura possíveis irregularidades em um contrato firmado entre a Prefeitura e o Instituto Conhecer Brasil (ICB), responsável pela gestão do programa de Wi-Fi gratuito da capital paulista.
A presidente do ICB, Karina Ferreira da Gama, também é proprietária da Go UP Entertainment, produtora do longa-metragem. Conforme a investigação, uma das suspeitas analisadas é a possibilidade de recursos desviados do programa municipal terem sido direcionados à empresa ligada à produção do filme. Karina não foi localizada para comentar a operação.
Ao ser questionado sobre a relação entre a investigação e o filme, Nunes afirmou: "Se a motivação, conforme vocês estão me dizendo, é por conta do filme, então estou indo atrás de um contrato com a prefeitura de 2024 por causa do filme. Aí é grave. Aí é perseguição política". O prefeito acrescentou: "Se por acaso for uma questão política, eu acho que é um erro grave. Eu acho que é um desrespeito à democracia".
Operação e reação da prefeitura
Agentes da Polícia Civil estiveram pela manhã na Secretaria Municipal de Inovação e Tecnologia, localizada no centro da capital paulista, onde realizaram buscas em três andares do prédio. Após a saída dos policiais, o secretário Humberto Alencar informou ao prefeito e aos demais integrantes do governo municipal que os documentos recolhidos faziam parte de processos públicos já disponíveis nos canais oficiais da administração.
Nunes afirmou que recebeu informações de sua equipe garantindo a regularidade da contratação. "O que eu recebi da minha equipe é a afirmação de que não existe absolutamente nada de errado dentro do processo de contratação", declarou. O prefeito também informou ter solicitado, por duas vezes na semana anterior, uma revisão completa do procedimento administrativo.
Questionado sobre apontamentos dos investigadores relacionados à ausência de documentos comprobatórios, Nunes explicou que o modelo contratual prevê prestação de contas posterior. Segundo ele, despesas sem comprovação já foram desconsideradas pela prefeitura. "Na análise de 2024 foram glosados mais de R$ 2 milhões porque era um serviço que não havia sido comprovado", afirmou.
Contrato de R$ 108 milhões está sob investigação
O inquérito foi instaurado em março, a pedido do Ministério Público, para investigar possíveis irregularidades no contrato de R$ 108 milhões firmado entre a Prefeitura de São Paulo e o ICB para a oferta de internet gratuita. Durante as apurações, a Polícia Civil identificou indícios de problemas no processo de seleção da entidade, nos valores contratados e em pagamentos que teriam sido realizados antes da instalação de pontos de acesso.
A investigação também aponta divergências nos custos do serviço. Enquanto o contrato firmado pela gestão municipal prevê gasto de R$ 1.800 por ponto de Wi-Fi, a Polícia Civil sustenta que a Prodam, empresa pública de tecnologia da prefeitura, presta serviço semelhante por valores significativamente inferiores. A administração municipal, por sua vez, segue negando irregularidades e afirma monitorar o programa por meio de uma plataforma pública de acompanhamento em tempo real.


