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Prefeitura de SP ampliou contrato com ONG ligada a produtora de filme sobre Bolsonaro após identificar "irregularidade grave"

Contrato chegou a R$ 143 milhões mesmo após questionamentos sobre prestação de contas; ICB foi alvo de operação da Polícia Civil nesta segunda-feira

Ator Jim Caviezel, que interpreta Jair Bolsonaro no longa "Dark Horse", e Karina Ferreira da Gama, produtora do filme (Foto: Reprodução )
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247 - A Prefeitura de São Paulo ampliou em 50% o contrato firmado com o Instituto Conhecer Brasil, organização social ligada à empresária Karina Ferreira da Gama, responsável também pela produtora do filme "Dark Horse", sobre a trajetória política de Jair Bolsonaro (PL).

Segundo o jornal O Globo, documentos de processos administrativos da administração municipal apontam que o valor total do contrato alcançou R$ 143 milhões após um aditivo assinado em dezembro de 2025. A ampliação ocorreu mesmo depois de a área técnica da Secretaria Municipal de Inovação e Tecnologia apontar uma "irregularidade grave" na prestação de contas da entidade referente ao exercício de 2024.

Polícia investiga possível desvio de recursos

A Polícia Civil de São Paulo deflagrou nesta segunda-feira (1) uma operação para investigar supostos desvios de recursos públicos relacionados ao contrato. Uma das linhas de apuração busca esclarecer se parte dos recursos destinados ao projeto de instalação de pontos públicos de wifi na capital paulista foi utilizada para financiar a produção cinematográfica sobre Bolsonaro.

O contrato com a prefeitura tem validade até o fim de 2026 e prevê a manutenção da rede pública de conectividade da cidade. Antes da assinatura do aditivo, a ONG já havia recebido R$ 93,5 milhões da administração municipal. Com a ampliação, a gestão do prefeito Ricardo Nunes (MDB) comprometeu-se a repassar mais R$ 49,2 milhões ao longo deste ano. Atualmente, os pagamentos mensais à organização somam cerca de R$ 4,1 milhões, de acordo com a reportagem.

Parecer técnico apontou "irregularidade grave"

A área técnica da Secretaria Municipal de Inovação e Tecnologia identificou problemas na execução financeira da parceria, incluindo a falta de devolução integral de valores considerados indevidos. Entre os apontamentos está um pagamento duplicado de R$ 925 mil realizado pela ONG a um fornecedor.

No parecer assinado em fevereiro deste ano, os técnicos registraram que "verifica-se que a Organização da Sociedade Civil não promoveu a restituição integral dos valores glosados dentro do exercício analisado, tampouco sanou todas as inconformidades apontadas pela área técnica. A permanência de valores expressivos pendentes de devolução caracteriza irregularidade grave na execução financeira da parceria, comprometendo a regularidade da prestação de contas." O documento recomendava a formalização da devolução de quase R$ 1 milhão considerado irregular.

Prefeitura afirma que recursos foram devolvidos

Em nota, a Prefeitura de São Paulo afirmou que os valores apontados foram integralmente restituídos pela organização em 2025 e negou qualquer relação entre os recursos municipais e a produção do filme sobre Bolsonaro.

"Portanto, não há o que se falar em prejuízo à Prefeitura. O aditamento ao Termo de Colaboração mencionado pela reportagem teve como finalidade garantir a continuidade da prestação de serviços já em operação, com a manutenção dos 3.200 pontos (de wifi). Portanto, a administração repudia qualquer tentativa de criar relações entre ações do Município e a produção cinematográfica do filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. A produção do filme não recebeu recursos municipais."

Apesar disso, a formalização administrativa da restituição só foi registrada em maio de 2026, após cobranças da própria área técnica da secretaria.

Aprovação das contas gerou questionamentos

De acordo com a reportagem, o secretário municipal de Inovação e Tecnologia, Humberto de Alencar, aprovou a prestação de contas da ONG em despacho datado de 11 de maio de 2026, antes da conclusão formal dos procedimentos de regularização apontados pelos técnicos.

A decisão ocorreu dias antes da divulgação de reportagem do site The Intercept Brasil sobre articulações para captar recursos destinados à produção do filme em homenagem ao ex-mandatário.

Relação com Mario Frias e emendas parlamentares

A reportagem também destaca a proximidade entre Karina Ferreira da Gama e o deputado federal Mario Frias (PL-SP), um dos envolvidos no projeto cinematográfico. Em 2022, ela recebeu R$ 54 mil da campanha eleitoral do parlamentar por serviços de assessoria de imprensa.

Posteriormente, Frias destinou R$ 2 milhões em emendas parlamentares ao Instituto Conhecer Brasil. Parte dos recursos foi utilizada em projetos como o "Jovem Empreendedor" e o "Lutando pela Vida", voltado à oferta de aulas de jiu-jitsu para crianças e adolescentes.

Documentos citados pela reportagem indicam ainda a contratação de pessoas ligadas à própria organização ou a entidades associadas à sua direção. Entre elas está Rudyge Alex Scatolini, ex-integrante do conselho fiscal da ONG, contratado para coordenar um dos projetos financiados com recursos das emendas.

Outro caso envolve o publicitário Marcelo Machado, vice-presidente da Academia Nacional de Cultura, entidade também dirigida por Karina. Sua empresa, MM7 Comunica, recebeu um contrato de R$ 50 mil em projeto financiado por recursos destinados pelo deputado.

Karina Ferreira da Gama não respondeu aos questionamentos feitos pela reportagem sobre os repasses e as contratações. Mario Frias e Marcelo Machado também não retornaram os contatos. Rudyge Alex Scatolini não foi localizado.

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