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Lula visita Índia e Coreia do Sul para ampliar comércio e parcerias estratégicas

A agenda inclui encontros com autoridades, participação em fóruns empresariais e pautas voltadas à inovação, e à transição energética

Lula (Foto: Ricardo Stuckert/PR)

247 - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva realizará, entre os dias 18 e 24 de fevereiro, visitas oficiais à Índia e à Coreia do Sul com foco no fortalecimento das relações comerciais e na ampliação de parcerias estratégicas com dois dos principais países asiáticos. A agenda inclui encontros com autoridades, participação em fóruns empresariais e compromissos voltados à inovação, à transição energética e ao aprofundamento da cooperação bilateral.

As informações foram apresentadas em briefing do Ministério das Relações Exteriores e detalham o avanço do intercâmbio econômico entre Brasil e Índia, que superou US$ 15 bilhões em 2025. Desse total, US$ 6,9 bilhões correspondem às exportações brasileiras e US$ 8,3 bilhões às importações. Atualmente, a Índia é o 10º principal destino das exportações do Brasil, com destaque para produtos como óleos brutos de petróleo, açúcares e melaços, gorduras e óleos vegetais e minério de ferro.

O comércio entre Brasil e Coreia do Sul também registrou números expressivos em 2025, alcançando US$ 10,8 bilhões. As exportações brasileiras somaram US$ 5,5 bilhões, enquanto as importações chegaram a US$ 5,3 bilhões. A Coreia do Sul ocupa o 13º lugar entre os destinos das exportações brasileiras, com predominância de itens como óleos brutos de petróleo, minério de ferro, farelos de soja, álcool e café não torrado.

Agenda em Nova Deli reforça parceria estratégica com a Índia

Lula será recebido em Nova Deli entre os dias 18 e 22 de fevereiro, em visita que ocorre como retribuição à ida do primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, ao Brasil em julho de 2025, durante a Cúpula do BRICS. Esta será a quarta vez que Lula visita a Índia e a segunda viagem ao país no atual mandato.

A agenda, segundo o Itamaraty, busca abrir novas oportunidades de cooperação em áreas como economia, turismo, agricultura, energia e sustentabilidade. A secretária de Ásia e Pacífico do Ministério das Relações Exteriores, embaixadora Susan Kleebank, destacou que Brasil e Índia mantêm uma parceria estratégica desde 2006 e vivem um momento de expansão nas relações bilaterais.

“Com mais de 1,4 bilhão de habitantes, a Índia hoje é o país mais potente do mundo e detém o quarto maior PIB do planeta. A economia indiana é a que mais cresce entre os países do G20. A taxa de crescimento econômico da Índia tem se mantido em torno de 7% a 8% ao longo dos últimos anos”, afirmou a diplomata durante briefing à imprensa nesta quinta-feira (12).

Ela também ressaltou a relevância geopolítica do diálogo entre os dois países. “O diálogo e a cooperação com a Índia ganham ainda mais importância no atual contexto de instabilidade global. Os dois países têm posições coincidentes e bem centrais na pauta internacional, pela necessidade de reforma da governança global, inclusive da ampliação do Conselho de Segurança das Nações Unidas. Além disso, desenvolvem cooperação ativa em setores estratégicos para os dois países”, completou Susan Kleebank.

Cinco pilares orientam cooperação bilateral para a próxima década

Um dos principais marcos da relação recente entre Brasil e Índia é o acordo firmado durante a visita de Narendra Modi ao Brasil, no ano passado, que estabeleceu uma estrutura de cooperação baseada em cinco pilares prioritários para os próximos dez anos. Entre os eixos definidos estão defesa e segurança; segurança alimentar e nutricional; transição energética e mudança climática; transformação digital e tecnologias emergentes; e parcerias industriais.

O encontro entre Lula e Modi deve avançar em medidas concretas, incluindo a assinatura de uma declaração Brasil-Índia sobre parceria digital para o futuro. Também está previsto reforço político às negociações de ampliação do acordo comercial Mercosul-Índia e a oficialização da ampliação do prazo de validade de vistos de negócios e turismo, que passará de cinco para dez anos entre os países.

Lula participa de cúpula global sobre inteligência artificial

Outro destaque da passagem pela Índia será a participação do presidente brasileiro na Cúpula de Inteligência Artificial, marcada para o dia 19 de fevereiro, na capital indiana. O evento deve reunir cerca de 40 mil pessoas de 50 países e será a primeira vez que um presidente do Brasil participa de um fórum global de alto nível dedicado ao tema.

O diretor do Departamento de Ciência, Tecnologia e Propriedade Intelectual do Ministério das Relações Exteriores, embaixador Eugênio Vargas Garcia, afirmou que o debate sobre inteligência artificial se tornou central na agenda internacional.

“Esse tema, há alguns anos, não era abordado nos fóruns internacionais, mas hoje ele adquiriu uma conotação importantíssima. É algo sintomático, não só da importância do tema, mas, também, do nosso engajamento e a participação do governo brasileiro nessas iniciativas”, disse.

No dia 20 de fevereiro, o governo brasileiro também organizará um evento paralelo intitulado “IA para o bem de todos”, que abordará as perspectivas brasileiras sobre o futuro da inteligência artificial. A programação contará com a presença de ministros de Estado das áreas de Ciência, Tecnologia e Informação; Gestão e Inovação nos Serviços Públicos; Educação; Saúde; e Comunicações.

Visita à Coreia do Sul mira parceria estratégica e investimentos

Após a passagem pela Índia, Lula seguirá para Seul, onde cumprirá agenda oficial entre os dias 22 e 24 de fevereiro, a convite do presidente sul-coreano Lee Jae Myung. Esta será a terceira visita do presidente brasileiro ao país e a primeira em caráter de visita de Estado.

Durante a viagem, está prevista a assinatura do Plano de Ação Trienal 2026-2029, voltado a elevar o nível da relação bilateral para uma parceria estratégica.

“No aspecto econômico-financeiro, a Coreia do Sul é um dos principais e mais tradicionais parceiros do Brasil. A visita sedimenta a ótima relação entre os dois presidentes e simboliza a importância que os países dão à relação bilateral, estabelecida há mais de seis décadas. Queremos aproveitar o imenso potencial existente e aprofundar as relações com esse país tão relevante que é a Coreia do Sul”, afirmou a embaixadora Susan Kleebank.

Entre os resultados esperados pelo governo brasileiro está o estímulo a um novo ciclo de investimentos sul-coreanos no Brasil, com foco em setores estratégicos, como tecnologia, agronegócio, cosméticos e inovação industrial.

Fóruns empresariais reúnem centenas de empresas brasileiras

A programação do presidente brasileiro nos dois países inclui participação em encontros com empresários e lideranças econômicas. Em Nova Deli, o Fórum Empresarial Brasil-Índia contará com a presença de mais de 300 empresas brasileiras. Os debates abordarão áreas como minerais estratégicos críticos, mobilidade e transição energética, setores farmacêutico e de saúde, segurança ambiental, agricultura familiar e inovação marinha.

Já em Seul, o Fórum Empresarial Brasil-Coreia reunirá 230 empresas brasileiras e será voltado à ampliação de oportunidades comerciais e tecnológicas. O embaixador Alex Giacomelli da Silva, do Departamento de Promoção Comercial, Investimentos e Agricultura do Ministério das Relações Exteriores, detalhou os setores presentes no encontro.

“O Fórum vai integrar painéis temáticos sobre minerais estratégicos, Inteligência Artificial, agronegócio, indústrias criativas e cosméticos. Entre os setores que vão participar do evento estão a economia criativa, tecnologia, alimentos e bebidas, açúcar e álcool, cosméticos, indústria farmacêutica e aviação”, afirmou.

Com uma agenda intensa de reuniões diplomáticas, assinatura de acordos e diálogo empresarial, o governo brasileiro busca consolidar a presença do país em mercados estratégicos da Ásia e ampliar oportunidades de cooperação em áreas consideradas centrais para o desenvolvimento econômico e tecnológico do Brasil.

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