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Quem são as vítimas dos técnicos de enfermagem investigados como serial killers em hospital do DF

Investigação revelou um dos episódios mais graves já registrados na saúde privada do DF

As vítimas são João Clemente Pereira, de 63 anos, Marcos Raymundo Fernandes Moreira, de 33 anos e Miranilde Pereira da Silva, de 75 anos (Foto: Reprodução)

247 - A investigação da Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) sobre mortes ocorridas na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Anchieta, em Taguatinga, revelou um dos episódios mais graves já registrados na saúde privada do DF. Três pacientes morreram após intervenções criminosas atribuídas a um técnico de enfermagem, apontado como um possível serial killer hospitalar. As informações são do  g1. 

De acordo com a Polícia Civil, as vítimas tiveram piora súbita após aplicações irregulares de medicamentos e, em um dos casos, de produto químico de limpeza diretamente na veia.

As vítimas são Miranilde Pereira da Silva, João Clemente Pereira e Marcos Raymundo Fernandes Moreira. Todos estavam internados por razões distintas, apresentavam quadros clínicos diferentes e não tinham, segundo a investigação, indicação médica para os procedimentos que levaram às mortes.

Professora aposentada morreu após 13 injeções de desinfetante

A vítima mais idosa é Miranilde Pereira da Silva, de 75 anos, moradora de Taguatinga e professora aposentada. Segundo a Polícia Civil, ela sofreu uma piora abrupta após receber doses elevadas de um medicamento. Quando o remédio acabou, o técnico teria recorrido a um desinfetante retirado da pia do leito.

O delegado Wisllei Salomão, coordenador da Coordenação de Homicídios e Proteção à Pessoa (CHPP), descreveu o caso em detalhes:

 “Em um dos casos, o medicamento acabou — ele injetou cerca de 4 vezes esse medicamento. Essa vítima teve seis paradas cardíacas. Como ela não faleceu, e como o medicamento havia acabado, ele utilizou de um desinfetante que estava na pia do leito. Ele encheu cerca de 13 seringas e injetou diretamente na veia da paciente, e isso também causou o óbito dela”.

Servidor da Caesb morreu após aplicações irregulares

Outra vítima é João Clemente Pereira, de 63 anos, servidor público e morador do Riacho Fundo I. Internado na UTI do hospital, ele teve uma piora súbita após a aplicação de medicamentos que não haviam sido prescritos pela equipe médica.A família informou que acreditava inicialmente que a morte havia ocorrido por causas naturais. Apenas no dia 16 de janeiro, tomou conhecimento da suspeita de crime. Em nota, os familiares afirmaram que só então passaram a desconfiar de falhas graves no atendimento e disseram confiar na atuação das autoridades para a responsabilização criminal e civil dos envolvidos.

Carteiro de 33 anos também está entre as vítimas

A terceira vítima é Marcos Raymundo Fernandes Moreira, de 33 anos, servidor dos Correios e morador de Brazlândia. Assim como nos outros casos, imagens do circuito interno de segurança mostram que as aplicações ocorreram justamente nos momentos de piora do paciente.Segundo a Polícia Civil, o mesmo medicamento foi utilizado nos três pacientes, obtido de forma fraudulenta após o técnico usar a senha de um médico para emitir uma receita falsa. O nome do remédio não foi divulgado para não comprometer as investigações.

Padrão de mortes levantou suspeitas

De acordo com a diretora do Instituto Médico Legal (IML), Márcia Reis, apesar das diferentes condições clínicas, os três pacientes apresentaram um elemento em comum: a piora súbita e inesperada, o que despertou a atenção da equipe hospitalar e dos investigadores.As imagens das câmeras da UTI mostram que, logo após as aplicações, os pacientes entravam em colapso. Para tentar despistar a autoria, o técnico realizava massagens cardíacas e simulava tentativas de reanimação.

Hospital acionou a polícia e demitiu envolvidos

Em nota oficial, o Hospital Anchieta informou que instaurou um comitê interno ao identificar “circunstâncias atípicas relacionadas a três óbitos” e que, a partir da investigação interna, solicitou a abertura de inquérito policial. Os três técnicos de enfermagem suspeitos foram demitidos antes das prisões.O hospital afirmou ainda que entrou em contato com as famílias, prestando esclarecimentos, e destacou que o caso corre sob segredo de justiça.

Investigação continua

O principal suspeito, de 24 anos, confessou os crimes após ser confrontado com imagens do circuito interno. Duas colegas, de 28 e 22 anos, são acusadas de acobertar duas das três mortes. Os três estão presos.A Polícia Civil segue apurando se há outras vítimas, tanto no Hospital Anchieta quanto em outras unidades de saúde onde o técnico trabalhou anteriormente, inclusive em uma UTI pediátrica de outro hospital particular de Taguatinga

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