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Técnico de enfermagem suspeito de matar pacientes com desinfetante fala sobre supostas motivações dos crimes

Em um primeiro momento, após ser detido, Marcos Vinícius afirmou à polícia que não havia cometido nenhum crime

Marcos Vinícius Silva Barbosa de Araújo, 24 anos, foi preso em casa, em Águas Lindas de Goiás (Foto: Reprodução)

247 - Um técnico de enfermagem de 24 anos é apontado pela Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) como o principal suspeito de liderar um esquema criminoso que resultou na morte de três pacientes internados na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Anchieta, em Taguatinga, no Distrito Federal. Durante depoimentos, ele teria apresentado versões diferentes para justificar as mortes, levantando suspeitas sobre as reais motivações dos crimes.

As informações são do Metrópoles, que teve acesso aos depoimentos prestados por Marcos Vinícius Silva Barbosa aos investigadores da PCDF. O caso veio à tona após a deflagração da Operação Anúbis, que culminou na prisão do técnico de enfermagem.

Em um primeiro momento, após ser detido, Marcos Vinícius afirmou à polícia que não havia cometido nenhum crime e que apenas teria administrado medicamentos prescritos pelos médicos responsáveis pelos pacientes. A versão, no entanto, passou a ser questionada após a análise de imagens de câmeras de segurança do hospital.

Os registros mostram o técnico prescrevendo receitas, buscando medicamentos e preparando substâncias para aplicação intravenosa nas vítimas. Confrontado com as imagens, ele teria reconhecido a conduta ao afirmar que “parece que fez isso mesmo”, segundo apurado pelos investigadores.

Em um segundo depoimento, Marcos Vinícius mudou a versão e declarou que teria provocado a morte dos pacientes com o objetivo de “aliviar o sofrimentos das vítimas”. Em outro relato, alegou que o ambiente hospitalar estava “tumultuado” e que teria cometido os crimes “por estar nervoso”.

As investigações apontam que o técnico teria injetado medicamentos não prescritos nos pacientes, em alguns casos com o auxílio de duas técnicas de enfermagem, Amanda Rodrigues de Sousa, de 28 anos, e Marcela Camilly Alves da Silva, de 22, que também são investigadas. Segundo a polícia, as substâncias aplicadas causavam parada cardíaca quase imediata.

As vítimas foram identificadas como João Clemente Pereira, de 63 anos, servidor da Caesb; Marcos Moreira, de 33 anos, servidor dos Correios; e Miranilde Pereira da Silva, de 75 anos, professora aposentada. No caso de Miranilde, a investigação aponta que o técnico chegou a injetar mais de dez seringas de desinfetante no organismo da paciente.

Para tentar disfarçar as mortes, Marcos Vinícius ainda realizava massagens de reanimação nos pacientes logo após as paradas cardíacas, enquanto as técnicas de enfermagem observavam à distância. Os celulares dos suspeitos foram apreendidos e encaminhados ao Instituto de Criminalística da PCDF para análise.

O Hospital Anchieta informou, em nota, que o caso começou a ser investigado a partir de uma apuração interna, após a identificação de circunstâncias consideradas atípicas envolvendo os três pacientes da UTI. “O hospital instaurou investigação, por iniciativa própria”, destacou a instituição.

Segundo o hospital, com base nas evidências reunidas, foi solicitado à polícia a abertura de inquérito e a adoção de medidas cautelares, incluindo a prisão dos envolvidos, que já haviam sido desligados da unidade de saúde.

Em nota oficial, a instituição afirmou ainda: “O hospital, enquanto também vítima da ação desses ex-funcionários, solidariza-se com os familiares das vítimas, e informa que está colaborando de forma irrestrita e incondicional com as autoridades públicas, reafirmando seu compromisso permanente com a segurança dos pacientes, com a verdade e a Justiça”.

A Polícia Civil segue investigando o caso para esclarecer completamente as motivações dos crimes e a participação de cada um dos envolvidos.

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