Defensoria aciona Justiça contra influenciador acusado de exaltar Hitler
A Defensoria Pública de Pernambuco pediu à Justiça o bloqueio integral dos perfis do influenciador e a retirada de conteúdos
247 - A Defensoria Pública de Pernambuco (DPPE) ingressou com uma ação civil pública contra o influenciador Victor Stavale, conhecido nas redes sociais como Vicky Vanilla, sob acusação de apologia ao nazismo e de incitação à discriminação racial, religiosa e política. O órgão solicita à Justiça o bloqueio integral dos perfis do influenciador e a retirada de conteúdos classificados como nazistas e racistas, além de outras medidas para conter a disseminação dessas mensagens.
A iniciativa foi noticiada pelo jornal Diário de Pernambuco nesta segunda-feira (26). A 6ª Vara Cível da Capital determinou que o influenciador se manifeste no processo. A decisão judicial que deu andamento ao caso é do dia 13 de janeiro.
De acordo com o defensor público Kleyner Arley Pontes Nogueira Abreu, autor da ação, Victor Stavale utilizou suas redes sociais para anunciar aulas gratuitas sobre nazismo e para estimular práticas de violência direta contra grupos específicos da sociedade. Segundo o defensor, o influenciador convocou seguidores a “caçar comunistas, negros e judeus”, o que, na avaliação da Defensoria, configura incitação explícita ao ódio.
A petição também aponta que o influenciador faz uso recorrente de plataformas digitais para difundir ideologias neonazistas e fascistas, exaltando personagens associados a crimes em massa. Conforme descrito no processo, ele promove conteúdos que glorificam “figuras genocidas da história da humanidade, como Adolf Hitler, Henrich Himmler, Julius Evola e Miguel Serrano”.
Em um dos trechos destacados pelo defensor, há referências a discursos xenófobos direcionados a migrantes e estrangeiros. “Contra migrantes e estrangeiros, afirmou que ‘o Brasil precisa de pureza, não de invasores estrangeiros’, discurso xenófobo que atenta contra o pluralismo e a dignidade da pessoa humana. Em publicações, chegou a afirmar que ‘o nazismo foi o maior projeto de pureza e ordem que o mundo já conheceu’, exaltando um regime responsável pelo genocídio de milhões de pessoas”, escreveu Kleyner Abreu na ação.
O defensor público sustenta ainda que o conjunto dessas manifestações vai além de opiniões isoladas nas redes sociais. “Todas essas manifestações não configuram simples discursos: elas constituem um verdadeiro programa de radicalização, que coloca em risco a integridade da juventude brasileira, especialmente adolescentes vulneráveis, e atenta contra o regime democrático”, afirmou.
Segundo a Defensoria Pública de Pernambuco, as condutas atribuídas ao influenciador podem enquadrá-lo em crimes como incitação ao ódio racial, apologia ao racismo, apologia de crime e associação criminosa, fundamentos que embasam o pedido de intervenção judicial e de restrição de seus canais de comunicação digital.


