Lula anuncia R$ 72,5 bilhões da Petrobras em Sergipe
Investimentos devem gerar 28 mil empregos e incluem óleo, gás, fertilizantes e descomissionamento
247 - O presidente Lula participou, nesta sexta-feira (29 de maio), em Sergipe, do anúncio de mais de R$ 72,5 bilhões em investimentos da Petrobras até 2030, com previsão de 28 mil empregos diretos e indiretos, duas plataformas capazes de produzir juntas 240 mil barris de petróleo por dia, 22 milhões de metros cúbicos diários de gás, R$ 60 bilhões no projeto Sergipe Águas Profundas e R$ 12,5 bilhões para descomissionamento de estruturas em águas rasas.
O anúncio ocorreu na Fábrica de Fertilizantes e Nitrogenados de Sergipe, a Fafen-SE, em Pedra Branca, distrito histórico e rural de Laranjeiras, na região metropolitana de Aracaju. Lula afirmou que a retomada de investimentos da Petrobras deve mudar a dinâmica econômica do estado nos próximos anos.
“Nunca antes na história do Brasil, Sergipe recebeu a quantidade de investimento que está recebendo até 2030. Está de volta a Fafen-SE do povo de Sergipe. Olhem como está esse estado hoje. E vamos conversar sobre a evolução de Sergipe daqui a cinco, seis ou 10 anos com os investimentos que vão ser feitos aqui”, afirmou Lula.
O evento marcou a assinatura de dois contratos de fornecimento, operação e manutenção dos navios-plataformas SEAP-1 e SEAP-2. A Petrobras planeja usar as estruturas para ampliar a produção em águas profundas na Bacia Sergipe-Alagoas e transformar Sergipe no maior produtor de petróleo da Região Nordeste.
A companhia prevê o início da produção de óleo em 2030 e a exportação de gás a partir de 2031. O projeto Sergipe Águas Profundas inclui exploração e produção de óleo e gás, reinício da produção de fertilizantes, contratação de iniciativas socioambientais e culturais e outras ações ligadas à cadeia de energia.
Lula defende papel estratégico da Petrobras
Lula destacou a importância da Petrobras para a economia brasileira e para a soberania nacional. Ao falar para trabalhadores da indústria de óleo e gás, o presidente associou a retomada da empresa à capacidade do país de investir em infraestrutura, energia, fertilizantes e geração de empregos. “Acreditem na importância da Petrobras. Acreditem na maravilha da Petrobras", disse.
A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, detalhou a capacidade das duas plataformas previstas para o projeto. Segundo ela, cada unidade poderá produzir 120 mil barris de petróleo por dia. Juntas, as plataformas também terão capacidade de produzir 22 milhões de metros cúbicos de gás por dia.
“Estamos anunciando um programa de investimentos em Sergipe, de águas profundas, do qual vão constar duas plataformas, com capacidade, cada uma, de 120 mil barris de petróleo por dia. E com capacidade de produção de gás, as duas juntas, de 22 milhões de metros cúbicos por dia. Isso transforma Sergipe no maior estado produtor do Nordeste. Isso gera 25 mil empregos entre diretos e indiretos, apenas relacionado a essa produção”, frisou.
Tecnologia em águas profundas
Magda Chambriard afirmou que o projeto incorpora uma solução tecnológica inovadora para o processamento de gás natural em alto-mar. Ela ressaltou que cada plataforma terá uma unidade própria de processamento de gás, recurso que amplia a capacidade operacional da Petrobras.
“Essas duas plataformas que estamos construindo são uma prova da tecnologia e da capacidade criativa do sistema Petrobras. São plataformas em alto mar, em águas ultraprofundas, que têm, cada uma, uma unidade de processamento de gás natural”, explicou.
“A gente tem pelo mundo plataformas que produzem petróleo. A gente tem pelo mundo plataformas que produzem gás. Mas eu desconheço, e tenho mais de 40 anos nessa indústria, uma plataforma que tenha embarcado uma unidade de processamento de gás natural. E nós vamos ter uma unidade de processamento de gás natural em cada uma dessas duas plataformas”, prosseguiu.
A expectativa da Petrobras aponta que a participação do Nordeste na oferta nacional de gás natural deve quase dobrar até 2035, ao sair dos atuais 16% para 31%. O projeto também prevê arrecadação estimada de R$ 33 bilhões em participações governamentais diretas ao longo de 20 anos.
SEAP-1 e SEAP-2 somam R$ 60 bilhões
A Petrobras aprovou em abril a Decisão Final de Investimento do projeto SEAP-1, voltado à exploração e produção de petróleo em águas profundas na Bacia Sergipe-Alagoas. O projeto SEAP-2 já tinha recebido aprovação em dezembro de 2025. Juntos, os dois planos somam R$ 60 bilhões em investimentos.
A empresa viabilizou os projetos por meio de iniciativas conduzidas em parceria com o mercado fornecedor, com destaque para otimizações de engenharia e revisão de condições contratuais. Segundo a Petrobras, essas medidas ampliaram a atratividade econômica dos empreendimentos.
Além das duas plataformas, o projeto prevê a construção e interligação de 32 poços e a implantação de um gasoduto de escoamento com cerca de 134 quilômetros de extensão. Desse total, 111 quilômetros ficarão em trecho marítimo e 23 quilômetros em terra.
A companhia também já iniciou a licitação para o fornecimento de Árvores de Natal Molhadas e equipamentos submarinos para os dois projetos. A Petrobras prevê, ainda em 2026, o início das licitações para as demais infraestruturas.
A Árvore de Natal Molhada permite a ligação entre o sistema submarino de produção e o poço de petróleo. O equipamento controla a abertura e o fechamento de válvulas, responde a variações de pressão, vazão e temperatura e funciona como uma primeira linha de defesa em caso de vazamento.
Fafen-SE retoma produção de fertilizantes
A retomada da Fafen-SE ocupou papel central no anúncio. Em março de 2018, a Petrobras anunciou o fechamento de suas Fábricas de Fertilizantes Nitrogenados em Camaçari, na Bahia, e Laranjeiras, em Sergipe, como parte do plano de desinvestimentos da época e da saída da companhia do setor de fertilizantes.
Em janeiro de 2019, as fábricas entraram em hibernação. Em 2020, a Petrobras arrendou as unidades ao grupo privado Unigel. O grupo operou as plantas até 2023, quando paralisou a produção das duas fábricas sob a justificativa de inviabilidade econômica causada pelo preço do gás natural. Em 2025, após acordo com a Unigel, a Petrobras reassumiu a posse das Fafens e retomou as operações.
A Fafen-SE voltou a produzir amônia em dezembro de 2025 e iniciou a produção de ureia em janeiro de 2026. A unidade integra o Novo PAC e recebeu cerca de R$ 60 milhões em investimentos para retomar a operação até o momento.
A planta tem capacidade de produzir 1.800 toneladas de ureia por dia, volume que representa cerca de 7% da demanda nacional. A retomada já gera 530 empregos diretos e cerca de 1.500 indiretos.
Soberania em fertilizantes
Os fertilizantes nitrogenados fornecem nitrogênio para a formação de proteínas e clorofila nas plantas e têm papel essencial no crescimento e desenvolvimento das lavouras. A Petrobras afirma que estuda caminhos de médio e longo prazo para permitir que o Brasil alcance autossuficiência no setor.
Magda Chambriard associou a retomada da Fafen-SE à ampliação da produção de gás natural e à queda no preço do insumo, que influencia a viabilidade econômica das fábricas de fertilizantes.
“A Fafen daqui vai produzir 7% da demanda de fertilizantes nitrogenados do Brasil, porque fomos capazes de ampliar a produção de gás natural, de fazer uma unidade de processamento de gás natural de grande porte, de aumentar a disponibilidade de gás que era para o mercado", afirmou a presidente da Petrobras.
“E foi isso que fez com que o gás natural caísse de preço e permitisse a viabilidade econômica dessas plantas de fertilizantes. O que baixa o preço do gás natural, o que permite fertilizantes, o que permite esses insumos, é um investimento sério em prol da sociedade brasileira”, prosseguiu.
Governador fala em conquista histórica
O governador de Sergipe, Fábio Mitidieri, classificou o anúncio como uma conquista histórica para o estado. Ele afirmou que a retomada da Petrobras resultou de articulação política e mobilização de diferentes setores.
“Hoje é um dia de festa, um dia de celebrar uma conquista histórica pra Sergipe. Nós estivemos em várias reuniões, no Brasil e fora, para tratar do retorno da Petrobras. Essa é uma luta de várias mãos. Essa não é uma luta apenas de um parlamentar ou de uma diretoria, mas uma luta de um povo. É a luta do povo sergipano”, declarou.
Descomissionamento movimentará R$ 12,5 bilhões
Além dos investimentos em águas profundas e fertilizantes, a Petrobras também atua no descomissionamento de 26 plataformas de petróleo em águas rasas em Sergipe. O processo teve início no fim de 2025 e deve movimentar cerca de R$ 12,5 bilhões até 2035.
A iniciativa inclui o tamponamento de 169 poços e a remoção de estruturas, com foco em águas rasas. A Petrobras estima a geração de cerca de 950 empregos diretos e novas demandas para a cadeia de suprimentos local.
O Terminal Marítimo Inácio Barbosa também ganhou destaque no plano da companhia. A Petrobras trata o porto como um ativo logístico estratégico para sustentar fases de instalação, comissionamento e operação das plataformas, além de atividades de descomissionamento.
A infraestrutura do terminal recebeu reforços recentes, com a ativação de um novo berço dedicado às operações da Petrobras. O terminal também avança com novos investimentos estruturantes para atender demandas atuais, futuros negócios e fornecedores associados aos projetos no estado. Com os investimentos anunciados, a Petrobras amplia sua presença em Sergipe por meio de óleo, gás, fertilizantes, logística e descomissionamento.



