Para frustração dos bolsonaristas, comandante Geral da PM descarta motim contra Rui Costa

O Comandante-Geral da Polícia Militar, Paulo Coutinho, ressaltou que não existe comando de motim na Bahia contra o governador Rui Costa, frustrando as tentativas de líderes bolsonaristas em incitarem um movimento nacional dos policiais militares contra os governadores

(Foto: SSP/Alberto Maraux)
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247 - Em coletiva na manhã desta segunda-feira (29), o Comandante-Geral da Polícia Militar, Paulo Coutinho, descartou qualquer movimento dos servidores após a morte do soldado Wesley Soares no bairro da Barra, em Salvador, neste domingo (28). Questionado sobre a convocação para mobilização grevista e manifestações no Hospital Geral do Estado (HGE), enquanto a vítima passava por cirurgia, Coutinho disse que ali estavam “segmentos que não representam a instituição”. A informação é do portal Farol da Bahia. 

“A gente tem que deixar bem claro que a PM é bem maior que isso, estamos com o alto comando da corporação em funcionamento para servir e proteger o cidadão e qualquer manifestação de ordem política não cabe nesse momento”, disse.

A fala do comandante frustra as tentativas de líderes bolsonaristas como Bia Kicis, Eduardo Bolsonaro e Carla Zambelli, ao incitarem um movimento nacional dos policiais militares contra os governadores contra as medidas de isolamento social tão criticadas por Jair Bolsonaro. 

Entenda o caso

A deputada federal Bia Kicis, que preside a Comissão de Constituição e Justiça da Câmara, incitou a rebelião e um golpe da Polícia Militar contra o governador da Bahia, Rui Costa (PT). Ela tentou transformar em herói o soldado que, durante um surto neste domingo (28), invadiu o Farol da Barra, um dos principais pontos turísticos de Salvador, e fez vários disparos para o alto, ameaçando e colocando em risco a vida de pessoas que transitavam no local (veja tuíte abaixo). O soldado foi  atingido por outros PMs durante a operação para contê-lo, depois de atirar contra os colegas, e morreu no fim da noite.

O policial teve a morte confirmada pela Secretaria da Segurança Pública (SSP-BA). Ele estava internado no Hospital Geral do Estado (HGE) após ser baleado por policiais do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) no início da noite. A morte foi confirmada às 22h41.

O PM foi atingido em pelo menos três regiões do corpo, incluído tórax e abdômen. De acordo com a Secretaria de Segurança Pública da Bahia (SSP), às 18h35, o soldado afirmou que “havia chegado o momento, fez uma contagem regressiva e iniciou disparos contra as equipes do Bope”. Os policiais, então, dispararam dez vezes contra Weslei. “No momento que caiu ao chão ele iniciou uma série de disparos contra os policiais, que novamente tiveram a necessidade de realizar disparos, e, quando ele cessou a agressão, os policiais chegaram perto para utilizar o resgate”, declarou Capitão Luiz Henrique, o negociador.

O comandante do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope), major Clédson Conceição, afirmou que os policiais buscaram utilizar técnicas de negociação e impedir um confronto, mas que Weslei “atacou as equipes”. “Além de colocar em risco os militares, estávamos em uma área residencial, expondo também os moradores", justificou. Conceição disse que tentaram fazer com que Weslei se estregasse, mas que “essa negociação alternava em picos de lucidez com loucura. Ele não falava coisas com sentido, estava bastante transtornado”.

Repórteres e cinegrafistas que estavam no local foram ameaçados por policiais, após Weslei ser baleado. Eles disparam para cima, para dispersar a imprensa - o momento foi capturado num vídeo. A PM não se manifestou a respeito até o fechamento da reportagem. Moradores do bairro acompanharam a ação e divulgaram vídeos da chegada do PM Weslei até ele ser baleado e socorrido pelo SAMU até o HGE.

O soldado Weslei era integrante da 72ª Companhia Independente de Polícia Militar (CIPM), de Itacaré, no sul da Bahia, e chegou à capital baiana na manhã deste domingo. Os primeiros disparos de fuzil de Weslei aconteceram na Avenida Centenário, próximo ao 5º Centro de Saúde Clementino Fraga, relataram testemunhas. A perseguição policial teve início no local até chegar ao Farol da Barra, por volta das 14h. Lá, Wesley desceu do próprio carro com um fuzil à mão. Pouco depois, começou a efetuar os disparos. Não há registro de outros feridos.  Segundo a Secretaria de Segurança Pública da Bahia (SSP-BA), ele teve um “surto psicológico”.

Bia Kicis

Acostumada em disparar fake news em suas redes, Bia transformou o agente, chamado Wesley Soares, que pertence à 72º Companhia Independente de Polícia Militar de Itacaré, num herói, omitindo fato de que a Secretaria de Segurança Pública (SSP-BA) informou que o soldado apresentou um surto psicológico.

Com o rosto pintado de verde e amarelo, enquanto efetuava os disparos, Wesley gritava: "Eu, não vou deixar, não vou permitir, que violem a dignidade humana do trabalhador!". 

Bia usou sua frase para construir um contexto falso de que o agente lutava contra o lockdown estabelecido pelo governo baiano. “Morreu porque se recusou a prender trabalhadores. Disse não às ordens ilegais do governador Rui Costa da Bahia”.

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