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Turista gaúcha exigiu delegado branco após ser presa no Pelourinho por racismo

Identificada como Gisele Madrid Spencer Cesar, de 50 anos, a mulher é acusada de ofender racialmente uma comerciante

A mulher, que é natural do Rio Grande do Sul (RS), foi presa após ofender uma comerciante que trabalhava no Pelourinho. (Foto: Reprodução)

247 - A turista gaúcha presa por injúria racial em Salvador deve passar por audiência de custódia nesta sexta-feira (23). Ela foi detida em flagrante na noite de quarta-feira (21), durante um evento gratuito realizado no Pelourinho, no Centro Histórico da capital baiana. As informações são do g1.

Identificada como Gisele Madrid Spencer Cesar, de 50 anos, a mulher é acusada de ofender racialmente uma comerciante que trabalhava na Praça das Artes Mestre Neguinho do Samba. Segundo a Polícia Civil, além das agressões verbais, a turista também teria cuspido na vítima e repetido diversas vezes que era “branca”, o que motivou a prisão imediata.

De acordo com o relato da comerciante, identificada apenas como Hanna, as ofensas começaram de forma repentina, sem qualquer discussão prévia. Em entrevista à TV Bahia, ela descreveu o momento da agressão.

“Eu fiz uma venda e retirei o balde um cliente. No momento que eu passei, ela falou: ‘Vai mais um lixo’. Eu questionei e ela reafirmou que eu era um lixo e deu uma ‘escarrada’ em mim. Ela correu e eu perdi ela de vista. Ela teve problemas com outras pessoas e o segurança estava tentando tirar ela do evento.”

A Polícia Civil informou que o comportamento discriminatório não cessou após a prisão. Já na Delegacia Especializada de Combate ao Racismo e à Intolerância Religiosa (Decrin), onde a ocorrência foi registrada, Gisele teria exigido ser atendida exclusivamente por um delegado de pele branca, reforçando a conduta considerada racista pelos investigadores.

Conforme apurado pela TV Bahia, Gisele é natural do Rio Grande do Sul e estava em Salvador a turismo. Até o momento, não há informações oficiais sobre há quanto tempo ela permanecia na cidade nem sobre eventuais antecedentes criminais. O g1 informou que não conseguiu contato com a defesa da suspeita até a última atualização da reportagem.

A vítima afirmou ainda que, na avaliação dela, a prisão só ocorreu porque houve insistência. Segundo Hanna, a segurança do evento não demonstrou, inicialmente, disposição para conduzir a mulher à delegacia, e ela também criticou a forma como a ocorrência foi atendida.

“Mas eu disse que eu não iria porque, se fosse o contrário, eu estaria no porta-malas e ainda sairia algemada. Eles tiveram toda a paciência do mundo e ela saiu no tempo dela. Ela ficou se coçando e dizendo que aquele lugar não era para ela.”

Gisele segue custodiada na Decrin e será apresentada à Justiça na audiência de custódia, quando um juiz vai analisar a legalidade da prisão e decidir se ela permanecerá detida ou responderá ao processo em liberdade.

Desde 2023, o crime de injúria racial passou a ser equiparado ao de racismo, tornando-se inafiançável e imprescritível. A pena prevista varia de dois a cinco anos de prisão, além de multa. O caso segue sob investigação da Polícia Civil da Bahia.

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