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‘A instituição sai arranhada', diz comandante da PM sobre caso de oficial suspeito de feminicídio

Oficial da PM-SP preso por suspeita de feminicídio expõe debate sobre violência doméstica praticada por agentes de segurança pública

Coronel José Augusto Coutinho (Foto: Divulgação)

247 - A Polícia Militar do estado de São Paulo enfrenta uma crise interna de imagem após a prisão preventiva de um de seus oficiais superiores sob suspeita de feminicídio. Em entrevista concedida nesta quarta-feira (18), o comandante-geral da corporação, coronel José Augusto Coutinho, reconheceu publicamente o abalo reputacional causado pelo caso e defendeu a atuação da instituição no encaminhamento da prisão.

Segundo informações divulgadas pela cúpula da Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP), a Justiça Militar acatou pedido da própria Corregedoria da PM e decretou a prisão do tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto. A iniciativa partiu de dentro da corporação, o que o comandante destacou como demonstração de imparcialidade no tratamento do caso.

Comandante não poupa palavras ao avaliar o episódio

Diante de jornalistas, o coronel Coutinho foi direto ao reconhecer as consequências do episódio para a imagem da PM paulista. "A PM sai maculada. Um de seus integrantes está preso preventivamente acusado de feminicídio", afirmou o comandante, sem rodeios.

Ainda assim, Coutinho fez questão de ressaltar que a corporação não protegeu o suspeito por sua patente ou posição hierárquica. "A gente corta na própria carne para mostrar que não há diferenciações quanto ao autor do crime", declarou, sinalizando que o pedido de prisão feito pela Corregedoria foi uma escolha deliberada de transparência institucional.

O comandante-geral também revelou o impacto pessoal que o episódio causou. "É um caso emblemático, um caso que me chocou bastante", disse Coutinho, reforçando a gravidade da situação dentro de uma corporação que, por natureza, tem como missão proteger a sociedade — inclusive de crimes contra a vida de mulheres.

Corregedoria pediu a prisão; Justiça Militar atendeu

A cronologia do caso reforça o caráter institucional da ação: foi a própria Corregedoria da PM de São Paulo que acionou o sistema judiciário militar, resultando na prisão preventiva do tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto. A medida cautelar indica que as autoridades avaliaram existir risco concreto que justificasse a privação de liberdade antes mesmo de uma condenação.

A prisão de um oficial de alta patente sob acusação de feminicídio é um evento raro e de grande repercussão dentro das fileiras militares, e coloca em xeque debates recorrentes sobre violência doméstica praticada por agentes de segurança pública — um problema que pesquisas e organizações de defesa dos direitos das mulheres apontam como subnotificado no Brasil.

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