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Caso Gisele: polícia prende coronel suspeito de matar sua esposa em São Paulo

Geraldo Leite Rosa Neto já havia sido indiciado por feminicídio e fraude processual

O tenente-coronel da Polícia Militar Geraldo Leite Rosa Neto quebrou o silêncio e falou pela primeira vez publicamente sobre a morte da esposa, a policial militar Gisele Alves (Foto: Reprodução)

247 - A Polícia Civil prendeu, na manhã desta quarta-feira (18), o tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, investigado pela morte da policial militar Gisele Alves Santana, de 32 anos. A informação foi divulgada pelo g1 Vale do Paraíba e Região.

O oficial foi localizado em um apartamento na cidade de São José dos Campos, no interior paulista, onde equipes da Polícia Civil e da Corregedoria da Polícia Militar cumpriram o mandado de prisão expedido pela Justiça Militar. A decisão foi tomada após solicitação feita no dia anterior, com aval do Ministério Público de São Paulo.

Geraldo Leite Rosa Neto já havia sido indiciado por feminicídio e fraude processual no inquérito que apura a morte da esposa, encontrada com um tiro na cabeça em fevereiro, no apartamento onde o casal vivia. Inicialmente tratado como suicídio, o caso passou a ser investigado como homicídio após o surgimento de novas evidências.

A prisão foi embasada por laudos da Polícia Técnico-Científica que apontaram inconsistências na versão apresentada pelo oficial. Entre os elementos considerados decisivos estão a trajetória da bala que atingiu a vítima e a profundidade dos ferimentos identificados durante a perícia.

Os exames também indicaram a presença de manchas de sangue em diferentes cômodos do imóvel, o que levantou suspeitas sobre a dinâmica do ocorrido. Além disso, o laudo toxicológico descartou o uso de substâncias que pudessem comprometer a consciência da vítima no momento do disparo.

Outro ponto relevante foi o resultado do exame necroscópico, que identificou lesões no rosto e no pescoço da policial, reforçando a hipótese de que houve agressão antes da morte. Esses elementos levaram o delegado responsável a concluir que não se tratava de suicídio.

Apesar da prisão, o inquérito ainda aguarda a conclusão de exames complementares do Instituto Médico Legal (IML) e do Instituto de Criminalística, que devem esclarecer com mais precisão a dinâmica do crime ocorrido no dia 18 de fevereiro.A defesa do tenente-coronel sustenta que Gisele teria tirado a própria vida e afirma que aguarda a finalização dos laudos periciais. Já familiares da vítima contestam essa versão e defendem que ela foi vítima de feminicídio.

Mensagens enviadas pela policial a uma amiga, divulgadas pela família, indicam que ela enfrentava problemas no relacionamento. Em um dos trechos, Gisele afirmou: "Tem que controlar os ciúmes dele. Qualquer hora me mata".Em depoimento, a mãe da vítima também relatou que a filha vivia um relacionamento abusivo, descrevendo o comportamento do oficial como controlador e agressivo.

Na véspera da prisão, o tenente-coronel recebeu a visita de um homem em seu prédio, em São José dos Campos. Segundo apuração, o visitante teria ligação com uma igreja evangélica, mas não comentou o caso.

Até a última atualização, a defesa do investigado não havia se manifestado oficialmente sobre a prisão. O caso segue sob investigação e deve avançar com a análise final dos laudos periciais e eventual apresentação de denúncia pelo Ministério Público.

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