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Contrato de R$ 108 milhões com instituto ligado a Dark Horse foi assinado por pasta comandada por indicado de Ciro Nogueira

Bruno Lima, hoje deputado federal, chefiava a Secretaria de Inovação e Tecnologia de São Paulo

Contrato de R$ 108 milhões com instituto ligado a Dark Horse foi assinado por pasta comandada por indicado de Ciro Nogueira (Foto: Brasil 247 / Dall-E)
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247 – O contrato de R$ 108 milhões firmado pela Prefeitura de São Paulo com o Instituto Conhecer Brasil (ICB), entidade ligada à produção do filme Dark Horse, foi assinado quando a Secretaria Municipal de Inovação e Tecnologia era comandada por Bruno Lima (Podemos), hoje deputado federal. A pasta foi alvo de busca e apreensão nesta segunda-feira (1º) em operação da Polícia Civil que investiga suspeitas de desvios de recursos públicos para a produção do filme sobre Jair Bolsonaro.

As informações foram publicadas pela coluna Painel, da Folha de S. Paulo. Segundo a reportagem, Bruno Lima atuava como secretário de Inovação e Tecnologia na gestão do prefeito Ricardo Nunes (MDB) quando foi firmada a parceria com o Instituto Conhecer Brasil para fornecimento de Wi-Fi gratuito na capital paulista.

Lima foi eleito deputado federal em 2022 como o sexto mais votado do estado, mas se licenciou do mandato em Brasília em fevereiro de 2023 para assumir o comando da secretaria municipal. À época, era filiado ao PP. De acordo com a coluna, sua ida para a prefeitura foi articulada em um acordo entre Ricardo Nunes e Ciro Nogueira para garantir o apoio do partido à campanha de reeleição do prefeito.

O deputado permaneceu à frente da Secretaria de Inovação e Tecnologia até julho de 2024, quase um mês depois da assinatura do termo de colaboração entre a pasta e o Instituto Conhecer Brasil.

Operação investiga suspeita de desvios para filme sobre Bolsonaro

Nesta segunda-feira, a Secretaria de Inovação e Tecnologia, a residência de Karina Ferreira da Gama, dona do ICB, e duas empresas ligadas a ela foram alvo de mandados de busca e apreensão. A operação da Polícia Civil apura suspeitas de desvios de recursos destinados ao projeto de Wi-Fi gratuito para a produção do filme Dark Horse.

O caso ganhou repercussão por envolver uma parceria milionária da gestão Ricardo Nunes e uma produtora relacionada ao filme sobre Jair Bolsonaro. A investigação busca esclarecer se houve uso irregular de recursos públicos no contrato firmado entre a prefeitura e o instituto.

Bruno Lima nega conhecer dona do ICB

Ao Painel, Bruno Lima afirmou que não conhece Karina Ferreira da Gama. "Nunca a vi e, se passar em minha frente, não sei quem é", disse o deputado.

Ele também afirmou que, ao assumir a secretaria, sua principal meta era ampliar os pontos de Wi-Fi gratuito pela cidade de São Paulo. "Quando assumi a secretaria, a principal meta era espalhar vários pontos de wifi pela cidade, e todos os procedimentos foram repassados para as áreas técnica e jurídica", declarou.

Delegado de carreira da Polícia Civil, Lima disse acreditar na lisura e na neutralidade das investigações. Segundo ele, a operação causou estranheza porque não haveria qualquer relação da secretaria com a produção do filme.

"O que causou estranheza é que a gente nunca teve contato [com a produção do filme], sequer sabíamos do filme, não apoiamos o ex-presidente [Jair Bolsonaro]", afirmou.

O deputado defendeu ainda que o caso seja investigado. "De fato, tem que ser investigados, não acredito que isso [operação policial] ocorra por questões políticas ou pela repercussão", disse.

Acordo político levou deputado à gestão Nunes

A passagem de Bruno Lima pela gestão Ricardo Nunes ocorreu em meio à articulação política para a eleição municipal. Segundo a coluna Painel, a nomeação foi resultado de uma negociação entre o prefeito e Ciro Nogueira, então principal liderança do PP, para consolidar o apoio da legenda ao projeto de reeleição de Nunes.

A investigação agora coloca sob escrutínio um contrato firmado durante esse período. Embora Lima negue conhecer a responsável pelo Instituto Conhecer Brasil e afirme que os procedimentos foram encaminhados às áreas técnica e jurídica, a operação da Polícia Civil ampliou a pressão sobre a prefeitura e sobre os responsáveis pela parceria.

O contrato de R$ 108 milhões previa o fornecimento de Wi-Fi gratuito em São Paulo. A apuração busca determinar se recursos vinculados ao projeto foram desviados para fins alheios ao objeto da parceria, incluindo a produção de Dark Horse.

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