Entorno de Lula vê cerco contra clã Bolsonaro "se fechando" após operação da Polícia Civil de SP
Investigação apura contrato de R$ 108 milhões de ONG ligada à produtora Karina Ferreira da Gama e possível ligação com filme sobre ex-mandatário
247 - Aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmaram nesta segunda-feira (1º) que as investigações envolvendo uma organização não governamental ligada à produção de um filme sobre Jair Bolsonaro (PL) representam mais um capítulo do avanço das apurações sobre o entorno político e financeiro da família Bolsonaro. As informações são do jornal Valor Econômico.
Nesta segunda-feira, a Polícia Civil de São Paulo realizou uma operação contra o Instituto Conhecer Brasil (ICB), entidade presidida por Karina Ferreira da Gama, produtora do filme Dark Horse, cinebiografia de Bolsonaro. Segundo os investigadores, o ICB é alvo de apurações relacionadas a um contrato de R$ 108 milhões firmado com a Prefeitura de São Paulo para a instalação de pontos de wi-fi na capital paulista.
As suspeitas envolvem possíveis irregularidades na contratação e na execução do serviço, além de eventual desvio de recursos públicos. A prefeitura nega qualquer irregularidade e afirma colaborar com as investigações.
Interlocutores do governo e parlamentares da base aliada repercutiram a operação nas redes sociais, relacionando-a a outras investigações que envolvem pessoas próximas ao ex-presidente.
Lindbergh fala em avanço das investigações
O deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) afirmou que os fatos investigados exigem esclarecimentos e associou o caso às denúncias envolvendo o financiamento do filme Dark Horse.
"Muita coisa precisa ser explicada por essa turma. Já pedimos à Interpol para investigar onde estão os R$ 61 milhões que Flávio pediu ao Vorcaro. Vamos seguir o caminho do dinheiro e desbaratar essa quadrilha", escreveu o parlamentar na rede X. A publicação foi compartilhada pela deputada federal Gleisi Hoffmann (PT-PR).
No domingo (31), Lindbergh informou que acionou o escritório central da Interpol no Brasil para solicitar cooperação internacional em uma investigação sobre possíveis crimes de lavagem de dinheiro, ocultação de beneficiários finais e triangulação internacional de recursos relacionados ao filme.
Negociações para financiar Dark Horse
As declarações do deputado fazem referência a reportagens divulgadas pelo site The Intercept Brasil sobre mensagens e áudios atribuídos ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e ao empresário Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master.
Segundo as revelações, as negociações teriam alcançado R$ 134 milhões. Até o momento registrado nos diálogos, cerca de R$ 61 milhões já haviam sido transferidos para um fundo sediado no Texas, nos Estados Unidos. Karina Ferreira da Gama, presidente do Instituto Conhecer Brasil, também é sócia da Go UP Entertainment, produtora responsável pelo filme Dark Horse.
Polícia apura possível financiamento cruzado
De acordo com documento da Polícia Civil obtido pela reportagem, investigadores trabalham com a hipótese de que recursos públicos recebidos pelo Instituto Conhecer Brasil possam ter sido utilizados para financiar a produção do filme.
O relatório menciona suspeitas de "financiamento cruzado ilícito" e considera a possibilidade de que verbas vinculadas ao contrato com a Prefeitura de São Paulo tenham sido desviadas para custear a obra audiovisual. O orçamento estimado de Dark Horse varia entre R$ 8 milhões e R$ 20 milhões, segundo informações citadas pelos investigadores.
Boulos critica Ricardo Nunes
O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos (Psol), também comentou a operação nas redes sociais. Sem mencionar diretamente a família Bolsonaro, ele direcionou críticas ao prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), seu adversário político na disputa pela administração municipal. "É impressionante, onde tem contrato suspeito, tem o dedo de Nunes", escreveu.



