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Crise após rejeição de Messias pressiona aliança com Pacheco em Minas

A rejeição de Jorge Messias pode influenciar diretamente o desenho do palanque de Minas Gerais

Rodrigo Pacheco e Jorge Messias (Foto: Rosinei Coutinho/STF | Andressa Anholete/Agência Senado)

247 - A articulação política do governo Lula em Minas Gerais entrou em zona de turbulência após a rejeição do nome de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal.

Segundo informações da Folha de S. Paulo, o presidente Lula decidiu manter o apoio ao senador Rodrigo Pacheco, mas o clima está tenso, pois parte dos aliados do governo passou a atribuir a Pacheco um papel relevante na derrota de Messias, o que provocou desconforto dentro do PT e alimentou dúvidas sobre a consistência da aliança em Minas.

A indicação de Messias fracassou ao obter 34 votos, número abaixo dos 41 necessários para aprovação. Integrantes do entorno de Lula avaliam que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, liderou a derrota, pois queria que a vaga fosse de Pacheco.

Segundo a Folha, apesar da pressão interna, Lula sinalizou a interlocutores que não pretende alterar, por ora, o plano de apoiar Pacheco em Minas Gerais. Em reunião no Palácio da Alvorada, o presidente indicou que vê a votação no Senado como um episódio isolado, sem ligação direta com a disputa eleitoral.

No entanto, aliados da base apontam episódios recentes envolvendo Pacheco como sinal de uma movimentação dúbia. A ausência do senador em uma votação no Congresso que resultou na derrubada de um veto presidencial foi interpretada por aliados de Lula como falta de alinhamento político, mesmo com o resultado já sendo esperado.

Pessoas próximas a Pacheco contestam as críticas e afirmam que ele atuou para viabilizar a aprovação de Messias. Segundo esses interlocutores, o senador participou de articulações políticas relevantes e buscou aproximar o indicado de lideranças influentes.

A ex-prefeita de Contagem, Marília Campos, também saiu em defesa do senador. "Não se pode responsabilizá-lo pelo resultado [rejeição de Messias]. Eu ainda acho que ele é nosso candidato ao governo".

O próprio Pacheco tem indicado que sua eventual candidatura ao governo de Minas dependerá de condições políticas favoráveis. De acordo com seu entorno, movimentos de pressão ou desgaste promovidos por aliados do PT podem levá-lo a recuar.

Mesmo antes da crise, já havia incômodo dentro do partido com a postura cautelosa do senador, que evitava assumir publicamente a candidatura, ou a aproximação com Aécio Neves (PSDB) para a construção de uma chapa.

Com o cenário indefinido, aliados de Lula passaram a discutir alternativas. Entre os nomes cogitados está o empresário Josué Gomes da Silva. Outra possibilidade envolve o ex-prefeito de Belo Horizonte Alexandre Kalil, que já foi aliado de Lula e aparece como pré-candidato pelo PDT.

A escolha em Minas Gerais é estratégica. O estado reúne o segundo maior eleitorado do país e costuma ter peso decisivo nas eleições presidenciais, sendo fundamental para a construção de palanques regionais.

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