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Eduardo Paes sobre gestão Castro: "O quinto escalão da máfia assumiu o governo do Rio”

Pré-candidato ao governo do Rio e ex-prefeito relaciona crise política no estado às eleições de 2018

Eduardo Paes sobre gestão Castro: "O quinto escalão da máfia assumiu o governo do Rio” (Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil | Marcelo Camargo/Agência Brasil)
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247 - O ex-prefeito do Rio de Janeiro Eduardo Paes classificou o grupo político que governava o estado do Rio de Janeiro como “o quinto escalão da máfia”. A declaração foi dada em entrevista à jornalista Daniela Lima, do UOL Notícias, em meio ao avanço das investigações envolvendo o ex-governador Cláudio Castro, que foi alvo de busca e apreensão da Polícia Federal.

Ao comentar a crise institucional fluminense, Paes afirmou que as eleições de 2018, que deveriam representar uma reorganização política após os escândalos no estado, acabaram permitindo a ascensão de grupos ligados ao mesmo sistema que dominava o Rio.

“As eleições de 2018, que, em tese, tinham de ser de arrumação —e eu não falo como derrotado, porque fui— acabaram servindo ao sistema. Ele, o sistema, se travestiu no [ex-juiz] Wilson Witzel. Essa gente toda, a começar pelo Cláudio Castro, era o quinto escalão de uma máfia”, afirmou.

Na avaliação do ex-prefeito, o Rio atravessa uma deterioração institucional que ultrapassa os tradicionais casos de corrupção política e alcança relações com o crime organizado. Segundo ele, o cenário atual é consequência de uma escalada que se aprofundou nos últimos anos.

“Se você olhar o fio condutor de como chegamos onde estamos, é para ser roteiro de série... A gente saiu do crime do colarinho branco para conexões com o crime organizado”, enfatizou.

As declarações ocorrem após a decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, que autorizou uma operação de busca e apreensão contra Castro e aliados do governo estadual. A investigação da Polícia Federal aponta suspeitas de favorecimento ao empresário Ricardo Magro, citado no inquérito como sonegador de impostos e colaborador do crime organizado.

Durante a entrevista, Paes também mencionou o presidente da Assembleia Legislativa do Rio, Rodrigo Bacellar, ao comentar a relação entre políticos e grupos armados.

“O governador anda de fuzil? Não. O [Rodrigo] Bacelar, ex-presidente da Alerj, anda de fuzil? Não. Mas conversa com quem anda. Então, assim, é uma situação muito crítica”, salientou.

Aliado histórico do presidente Lula, Paes reafirmou apoio à reeleição do petista e elogiou a atuação do governo federal em relação ao estado fluminense.

“O Lula fez muito pelo Rio”, disse o ex-prefeito que também comentou o papel do senador Flávio Bolsonaro nas eleições que levaram Wilson Witzel e Cláudio Castro ao poder. Embora tenha adotado um tom mais moderado, Paes responsabilizou o parlamentar pelo apoio político dado aos dois nomes.

“O papel do Flávio foi o de ter, no mínimo, emprestado o nome ou a popularidade dos Bolsonaro para eleger ambos [Witzel e Castro] —e ele quer insistir nesse erro”, disse.

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