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Escola cívico-militar de São Paulo obriga jovens a bater continência e transmite erros de português

Anotações no quadro feitas por monitores aposentados da PM tiveram grafia incorreta durante ensino de comandos militares

Palavras foram escritas de forma incorreta no quadro (Foto: Reprodução/TV Vanguarda)

247 - Uma escola estadual de Caçapava, no interior de São Paulo, chamou atenção após registros de erros de português em conteúdos apresentados a estudantes no início do ano letivo de 2026. As falhas ocorreram durante atividades de monitoria ligadas ao modelo cívico-militar adotado pela rede estadual na última segunda-feira (2), envolvendo o ensino de comandos comuns à hierarquia militar.

Durante a explicação de ordem unida — conjunto de movimentos padronizados usados na Polícia Militar — palavras foram escritas de forma incorreta no quadro. Entre elas, “descançar”, grafada com “ç”, e “continêcia”, com ausência da letra “n” antes do “c”.

De acordo com a Academia Brasileira de Letras, as grafias corretas são “descansar”, com “s” na última sílaba, e “continência”. As imagens que flagraram os erros foram registradas pela equipe da TV Vanguarda durante a atividade em sala de aula.

Após algum tempo, o tenente Jeferson, responsável pela escrita no quadro, foi até a porta da sala e conversou com uma pessoa. Em seguida, retornou, observou o conteúdo escrito e fez a correção da palavra “descansar”. Logo depois, voltou a conversar com uma mulher presente na sala e corrigiu também o termo “continência”.

Procurada, a Secretaria da Educação do Estado de São Paulo informou que “todo o conteúdo pedagógico é elaborado e aplicado pelos docentes da escola e, neste início de implementação, os monitores estão passando orientações sobre as atividades de disciplina e promoção de valores cívicos”. A pasta acrescentou ainda que “todos os monitores do Programa Escola Cívico-Militar serão submetidos a processos semestrais de avaliação de desempenho para verificar adaptação e permanência em cada unidade escolar”.

O episódio gerou reação do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp). Em nota, a entidade afirmou que “repudia a implantação de escolas cívico-militares em São Paulo” e classificou o modelo como “inconstitucional e autoritário”. O sindicato também criticou o uso de recursos da Educação e a contratação de militares aposentados, além de afirmar que a medida foi adotada sem consulta à comunidade escolar.

Ao todo, 11 escolas estaduais do Vale do Paraíba e região iniciaram 2026 dentro do modelo cívico-militar. As unidades estão distribuídas em 10 municípios, sendo Bragança Paulista a única cidade com duas escolas participantes do programa. Nessas instituições, policiais militares aposentados atuam junto aos alunos nas atividades previstas pelo modelo.

Na região, fazem parte do programa as seguintes escolas: EE Newton Câmara Leal Barros e EE Prof. Marcos Antônio da Silva Guimarães, em Bragança Paulista; EE Prof.ª Mathilde Teixeira de Moraes, em Pindamonhangaba; EE Antônio Alves Bernardino, em Caraguatatuba; EE Padre Mateus Nunes de Siqueira, em Atibaia; EE Prof.ª Luciana Damas Bezerra, em Caçapava; EE Prof.ª Maísa Theodoro da Silva, em São Sebastião; EE Prof. Abrão Benjamim, em Cruzeiro; EE Prof.ª Leonor Guimarães, em Bom Jesus dos Perdões; e uma unidade em Piquete.

Segundo o governo estadual, as escolas do Vale do Paraíba representam 11% do total das 100 unidades selecionadas em 89 cidades paulistas. A estimativa oficial é de que cerca de 50 mil estudantes integrem o Programa Escola Cívico-Militar em todo o estado.

 

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